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SteamPunk | Mustache e os Apaches ~ No encalço da música SteamPunk
Música é a expressão de uma época e, como se sabe, o SteamPunk é acerca de uma época que de fato não existiu, embora guarde relação estreita com o Século XIX, a Era Vitoriana e as expressões culturais daquela época... o que torna a tentativa de estabelecer o que é Música SteamPunk um desafio para qualquer um que se proponha a tanto.
SteamPunk, Música SteamPunk, Mustache e os Apaches
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ago 18 2017

Mustache & os Apaches

Nos idos de 2012, a equipe da Vapor Marginal colocou na pauta da revista número #1 – porque a que está no ar é a número #0 – uma entrevista com uma banda muito especial, a “Mustache e os Apaches”, cuja sonoridade muito especial nos remete a uma mistura do som de meados do Século XIX até o início do Século XX, produzindo um material alternativo e muito profissional.

Música é a expressão de uma época e, como se sabe, o SteamPunk é acerca de uma época que de fato não existiu, embora guarde relação estreita com o Século XIX, a Era Vitoriana e as expressões culturais daquela época… o que torna a tentativa de estabelecer o que é Música SteamPunk um desafio para qualquer um que se proponha a tanto.

O estilo de Mustache e os Apaches, contudo, acaba por carregar aquele sense of wonder que nos invade ao assistir reconstituições de época em filmes como “Back to the Future III” ou até o Dixieland que acompanhava as antigas “fitas” de “O Gordo e o Magro”.

Tendo se conhecido em Porto Alegre, os músicos com histórico circense do Mustache e os Apaches formaram a banda em Perdizes, São Paulo, em 2011, e traz Pedro Pastoriz no vocal, violão e banjo; Tomás Oliveira no vocal e baixo; Alex Flag no vocal e percussão; Jack Rubens no bandolim; e Lumineiro no washboard – instrumento de percussão corrugado que remete às antigas tábuas de lavar roupas.

A entrevista a seguir ficou nas empoeiradas prateleiras anacrônicas do Conselho SteamPunk e resolvemos publicar agora aqui no site para honrar tardiamente o trabalho magnífico dessa banda cheia de talento e carisma que completa sete anos em Janeiro de 2018.

O que define a banda? Qual o papel desta definição na reunião e atual entrosamento de vocês?

P. Pastoriz: Acho que papo é sobre intensidade, e isso não se define em muitas palavras. Hehehe

Foi a sede de tocar que nos levou as ruas, o fato de a gente tocar pra 300, 400 pessoas por noite as vezes 5, 6 horas seguidas nos trouxe um entrosamento musical, mas acima de tudo somos grandes amigos, e pessoas intensas.

Tomás Oliveira: Mustache & os Apaches é uma banda que toma as ruas e pode aparecer na sua frente quando voce menos esperar. Levamos a musica para a cidade, onde ela nasceu e viveu por muitos anos antes de existir as mídias ou produtos de música. Levamos junto com a música o prazer do encontro, da mais estreita relação entre o artista e o público, da relação humana direta desvinculada de qualquer lógica de mercado capitalista que articula o artista como um produto. Valorizamos a cidade e as pessoas que transitam nela, o encontro real, que se perde nas redes virtuais e no isolamento dos indivíduos em automóveis particulares e condomínios fechados, frutos de um individualismo “prático” e até certo ponto medroso, que deteriora a cidade em prol do “eu”. Somos a contramão do individualismo, queremos compartilhar, somos hoje e olhamos para trás para uma música ainda sem energia elétrica e para um modo de vida desacelerado que julgamos necessário para os dias de hoje. Necessários para trazer de volta à cidade o carinho que ela merece como morada, e não como palco de capitalizações individuais, onde a morada não passa da porta da casa e a cidade não passa das as avenidas que só servem para chegar ao trabalho.

Sendo donos de um som único, multicultural, que remete ao blues, folk e a música do oeste norte-americano do século XIX, quais são suas influências musicais nacionais?

P.Pastoriz: É. Eu sou fã do pessoal que escreve com desenvoltura em português, alias esse é o único ponto que a música/poesia estrangeira não me pega pela espontainedade, vira uma coisa cerebral, traduzir pra compreender, etc…E desde que vim pra São Paulo foi que comecei a ouvir mais musica Brasileira. Belchior, Raul, Beto Guedes, essa galera aí. Estamos acabando de graver nosso primeiro disco, teremos 9 músicas próprias, 7 em português, uma em ingles e uma em frances…

Tomás Oliveira: é mais fácil dizer que nesse momento o som é dono de nós. As influencias musicas nacinonais passam por raul seixas, mutantes, caetano, gil, gal, novos baianos, gonzaga e principalmente zé carioca e cebolinha.

Suas origens no Dixieland, Gypsy, Blues e Bluegrass ficam bem marcadas em cada uma de suas apresentações. Em termos do cenário musical internacional, seria um erro dizer que Tom Waits, Bob Dylan e Robert Johnson seriam bem vindos para tocar com vocês? Que artistas ou bandas internacionais fazem sua cabeça?

Tomás Oliveira: Sim, principalmente Robert Johnson, seria no mínimo inusitado encontrar com ele em alguma encruzilhada.

P.Pastoriz: Incluiria a estes o Jack White e o Alan Lomax, seria legal tomar uma com esses caras, talvez em alguma sessão espírita. hehhehe

Parece bastante enraizado, na banda, uma inclinação performática e lúdica, o que dá aos clipes um clima fascinante, anacrônico e excêntrico. Qual foi sua influência na direção de arte destes vídeos? Seria um erro acreditar que admiram a obra de Jean-Pierre Jeunet, Guilhermo del Toro e Tim Burton?

Tomás Oliveira: A nossa direção de arte é como um caminhar despreocupado que segue a intuição e usa aquilo que já somos como pessoas, direção não seria a palavra certa, seria mais “vivência”. Não somos dirigidos, apenas somos. Lu Mineiro é circense de nascença, nasceu e já jogava malabares com as fraldas, e ele nos botou em contato com o mundo circence, que só fez despertar o que já existia de lúdico em cada um de nós, Alexandre é artista plástico antes de crescerem as barbas do profeta e vivemos cercados de amigos que acrescentam cores a nossa estética assim como acrescentam idéias a uma conversa. O clipe de Le Bateau foi na verdade um presente para nós. Estávamos em uma oficina de cine dança no festival da Serrinha a convite do amigo Beto Brant, e em uma tarde o galpão que era ponto de encontro foi transformado em cenário para uma das cenas da oficina. As quatro da manhã quando os dançarinos foram dormir exaustos sobramos nós e Julio andrade, que filmou o clipe naquele cenário, fruto de muitos artistas, com elementos acumulados de festivais anteriores, a estética resultante foi uma construção coletiva, da qual aproveitamos por conta da aproximação que temos desses amigos multi-artistas.

Parece bastante enraizado, na banda, uma inclinação performática e lúdica, o que dá aos clipes um clima fascinante, anacrônico e excêntrico. Qual foi sua influência na direção de arte destes vídeos? Seria um erro acreditar que admiram a obra de Jean-Pierre Jeunet, Guilhermo del Toro e Tim Burton?

Tomás Oliveira: A nossa direção de arte é como um caminhar despreocupado que segue a intuição e usa aquilo que já somos como pessoas, direção não seria a palavra certa, seria mais “vivência”. Não somos dirigidos, apenas somos. Lu Mineiro é circense de nascença, nasceu e já jogava malabares com as fraldas, e ele nos botou em contato com o mundo circence, que só fez despertar o que já existia de lúdico em cada um de nós, Alexandre é artista plástico antes de crescerem as barbas do profeta e vivemos cercados de amigos que acrescentam cores a nossa estética assim como acrescentam idéias a uma conversa. O clipe de Le Bateau foi na verdade um presente para nós. Estávamos em uma oficina de cine dança no festival da Serrinha a convite do amigo Beto Brant, e em uma tarde o galpão que era ponto de encontro foi transformado em cenário para uma das cenas da oficina. As quatro da manhã quando os dançarinos foram dormir exaustos sobramos nós e Julio andrade, que filmou o clipe naquele cenário, fruto de muitos artistas, com elementos acumulados de festivais anteriores, a estética resultante foi uma construção coletiva, da qual aproveitamos por conta da aproximação que temos desses amigos multi-artistas.

Já que originalidade é a marca registrada de qualquer entrevista… Onde vocês estavam e o que faziam, em termos profissionais, antes de formarem a banda? Para onde pretendem ir?

P.Pastoriz: Sempre quis ter uma banda assim, aquele clima Quarrymen (pré-Beatles), Lonnie Donnegan (Skiffle Inglês etc…) Eu vim pra São Paulo com o violaozinho nas costas, fui bem atrevido-ingênuo. Mas quando fui morar com os meninos eu lavava pratos em um clube de jazz em São Paulo, tinha acabado de sair do albergue que morava com uns gringos muito malucos, Escoceses, Irlandeses, galera que gostava de beber até tarde. O clima era, vamos ao que interessa, precisamos de uma banda boa pra fazer uns trocados e dar umas risadas.

Tomás Oliveira: Antes de formar a banda, Lumineiro era malabarista, Alexandre artista plástico e eu estagiava com arquitetos. Rubens nem sonhava que a banda existia e morava no rio de Janeiro, um lado obscuro de sua vida que ainda não é claro para nós.

A banda faz aniversário em 15 de Dezembro deste ano, soprando uma vela de dois anos. O Som que vocês vêm produzindo é mais afinado com sua formação acadêmica ou com seu experimentalismo autodidata? Vocês se construíram ou já nasceram prontos?

Pedro Pastoriz: As duas coisas andam juntas. Eu sempre me identifiquei mais com experimentar, mais com a risada, com senso de humor. E não acho que experimentar seja o futuro de todo músico autodidata. A história e os formatos possíveis da música mudam conforme as necessidades, e seguimos o fluxo da nossa época, limitações da cidade, gente se constrói conforme as necessidades, o fato de tocarmos na rua tem um porque, e isso só pode funcionar pelo fato de termos instrumentos acústicos, e um cara como o Lumineiro que trouxe toda essa linguagem circense, cênica. Gosto da música que funciona, e tenho um pacto de não fazer arte entediante. Quero dizer, não tem a ver com nostalgia ou com história da música, escolhemos um formato que funciona para podermos contar nossas histórias.

Tomás Oliveira: Não se improvisa lendo partituras, mas também não se aprende harmonia em sites de cifra. O que mais nos afina é simplesmente estarmos juntos e fazer musica. Como músicos de rua, o encontro com outros artistas também enriquece nosso repertório, ao fazer música com uma pessoa nova se trava um diálogo musical, e assim apreendemos o sotaque musical de cada um, seus acentos e bagagens.

Mustache e os Apaches já foram “acusados” de ser uma banda SteamPunk? Conhecem o gênero? Se identificam, de algum modo, com ele? Têm alguma afinidade com Abney Park, Vernian Process ou Doctor Steel?

Pedro Pastoriz: Tudo está interligado. heheeh

Agradecimentos

Esta entrevista só foi possível graças a participação de Carol Fortuna e a colaboração dos fabulosos artistas de “Mustache & os Apaches”!

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Bruno Accioly
conselho@steampunk.com.br

Co-fundador do Conselho SteamPunk, Bruno Accioly é diretor da dotweb - empresa que faz a infra-estrutura de internet da organização - concebeu a iniciativa aoLimiar.com.br, é fundador da Sociedade Literária Retrofuturista e autor de "Crônicas Póstumas".

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