SteamPunk ~ O Conselho e o Movimento

Bruno Accioly, um dos fundadores do Conselho Steampunk, responde questões a respeito do grupo. Além de reunir fãs brasileiros da vertente literária, o Conselho ainda ministra “Lojas” presentes em diferentes estados, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, sua terra natal. Accioly também é diretor da dotweb.com.br (soluções para marketing digital, mídias sociais e desenvolvimento na web), editor do site de cultura nerd OutraCoisa.com.br e idealizador do portal de literatura fantástica aoLimiar.com.br.

Como e quando foi criado o Conselho Steampunk? O que é exatamente?

Eu havia, em 2007, criado um blog sobre SteamPunk, gênero ainda pouco explorado e comentado no Brasil. Logo em 2008, fui contatado via internet por Raul Cândido, de São Paulo, sobre o site que ele havia acabado de montar e cujo conteúdo era bastante qualificado. Falei com ele por telefone, aqui do Rio de Janeiro, e começamos a conversar sobre como poderíamos unir os sites, colaborar um com o outro.

O Raul Cândido, Carlos Felippe – que nos acompanha desde o início – e eu temos muitas afinidades ideológicas. Ficou claro que todos nós acreditávamos que poderíamos atrair mais entusiastas de outras cidades e estados para um formato de organização que não desse lugar a hierarquias e que, por isso, não fosse sofrer um processo posterior de “balcanização” devido a egos e outras questões que costumam minar este tipo de grupo.

O Conselho SteamPunk nasceu naquele telefonema, tendo como fundamento nossa ideologia, uma robusta infra-estrutura de internet e, é importante ser dito, graças também ao poder de mobilização e entusiasmo de Raul Cândido e Carlos Felippe.

Nossa estratégia era montar uma organização não hierárquica na qual qualquer pessoa em qualquer cidade de qualquer estado do país pudesse montar uma “Loja” (tradução do português para o termo “Lodge”, conforme usado por algumas sociedades secretas). Isso, automaticamente, faria com que os filiados recebessem acesso a uma infra-estrutura de e-mails (@steampunk.com.br) para todos os seus membros, contas de Gtalk (@steampunk.com.br), websites e toda base de conhecimento das duas Lojas primeiramente fundadas (Loja Rio de Janeiro e Loja São Paulo). Tudo unido à toda base que estaria por vir a medida que novas Lojas surgissem.

O Conselho SteamPunk é, essencialmente, um grupo nacional de entusiastas do gênero que se empenharam e conseguiram transformá-lo em movimento no país, muito devido ao fascínio exercido pelo SteamPunk e ao interesse de autores literários e da mídia.

A organização tem como meta inspirar, promover e produzir cultura SteamPunk, além de facilitar sua produção, seja através da internet ou nos meios físicos, dando apoio a todo e qualquer evento cultural que faça referência ao Século XIX e endossando produtos culturais que remetam a esta época.

Por que o Steampunk está dando tão certo hoje, tanto no Brasil quanto no mundo?

O SteamPunk parecia fenecer em todo mundo, como qualquer gênero/movimento que alcança em dado momento um ápice de popularidade e cujos únicos remanescentes acabam sendo os verdadeiros entusiastas que apreciam-no para além das tendências e da moda. De dois anos para cá, o fascínio exercido pelo SteamPunk pareceu ganhar fôlego, talvez devido ao gênero estar alcançando uma maturidade e se estabelecendo como algo que veio para ficar.
Há muitos aspectos do SteamPunk que podem estar contribuindo para isso, mas cito aqui apenas cinco que considero mais importantes.

a) Fascínio – O fascínio exercido pela ficção científica em crianças, jovens e adultos é um fenômeno bastante conhecido. Isso se dá graças ao componente fantástico presente no gênero e no devir de explicação que viabiliza esta fantasia através ciência e tecnologia.

O SteamPunk revisita os primórdios da ficção científica e tenta, através de seus meios e sua proposta estilística, produzir FC, hoje, nos moldes da FC do Século XIX, enriquecendo dramaturgicamente seu teor e transportando o público para uma época que jamais existiu;

b) Semelhança – A obra legitimamente SteamPunk literária, cinematográfica ou de qualquer outra forma de expressão costuma permanecer em dois grandes subgrupos: o SteamPunk Nostálgico e o SteamPunk Melancólico. O primeiro traz uma visão otimista e entusiasmada das conquistas científico-tecnológicas e o segundo uma abordagem crítica acerca de um Século XIX onde a utilização indiscriminada de recursos naturais, a desigualdade social e a relatividade moral representavam um grande problema. Ambas as abordagens remetem diretamente ao mundo em que estamos vivendo, de grande evolução tecnológica e degradação da ética e do moral.

c) Marginalidade – O termo que aplico aqui tem relação com a porção Punk que coincidentemente se imiscuiu na etimologia da palavra e que acabou fazendo sentido por força de quem é entusiasta do gênero.

De alguma forma, o SteamPunk herdou – juntamente com estas últimas quatro letras – alguma porção da rebeldia presente no CyberPunk, este intencionalmente marginal. A marginalidade do SteamPunk está presente, creio, na ausência de um produto ao qual atrelar o gênero (como é o caso de Star Wars ou Star Trek, quando falamos do gênero space opera). O SteamPunk não tem dono e não é uma franquia, mas está presente também na produção individual de moda, acessórios e cultura através de seus entusiastas, que preferem fazer a comprar aquilo que usam – fazendo referência ao movimento político conhecido como Anarquismo, o qual acaba sendo objetivamente tão pouco conhecido pelo cidadão comum.

d) Cultura – Por ser um movimento originado em um subgênero literário, o SteamPunk já traz a reboque todo um zeitgeist, todo o espírito marginal, fascinante e familiar de uma era na qual muitos pressentem que algo está errado e que é preciso buscar no passado os erros que talvez tenhamos cometido e, de alguma forma corrigi-los ou denunciá-los.

Sob este aspecto, o SteamPunk tem o potencial de ferramenta pedagógica e mesmo o de transportar através do tempo o interesse de quem normalmente se interessa pouco por cultura e história, fazendo com que estes resgatem as raízes da história recente através de uma janela para o Século XIX e para um mundo ficcional que torna lúdica esta viagem.

e) Organizações – O Conselho SteamPunk, a SteamPunk Magazine, o ClockWorker.de e todas as manifestações culturais, seja através de grupos, revistas ou websites acabam por dar forma palpável à esta ficção e resignificar tudo o que vem sendo produzido.

Como é o movimento no Rio de Janeiro? É maior que o de São Paulo?

O interesse no gênero no Rio de Janeiro é grande e, no entanto, o movimento não é tão pronunciado quanto o de São Paulo, ao menos no que se refere ao trabalho das Lojas regionais.

É importante que se compreenda que cada Loja do Conselho SteamPunk tem uma personalidade própria e que os talentos de uma Loja podem ser sensivelmente diferentes dos talentos de outra. Isso acontece, sobretudo, devido a uma Loja ser a soma dos talentos de seus membros.

A Loja Paraíba é grande no RPG; a Loja São Paulo é notável no que se refere ao atendimento à mídia e eventos; a Loja Paraná é especialmente destra com a promoção de “oficinas”. É possível notar claramente estas diferenças ao observar de perto cada Loja do Conselho SteamPunk.
A Loja Rio de Janeiro vem produzindo tecnologia de apoio para todas as outras Lojas e o projeto gráfico de cada um dos inúmeros websites do Conselho SteamPunk, bem como a gestão de toda a infra-estrutura.

Felizmente, temos começado a estabelecer parcerias e conseguir contato com entusiastas que têm experiência com a promoção de eventos, o que pode mudar um pouco o cenário do movimento por aqui.

Conte mais sobre suas iniciativas Steambook, Steamgirls e aoLimiar.

Temos, hoje, além do site do Conselho SteamPunk – http://www.steampunk.com.br – sites para cada uma das Lojas regionais, cujos endereços são alcançados pela substituição do “www” pela UF de cada estado. Sendo assim a Loja Paraná, por exemplo, tem o endereço http://pr.steampunk.com.br.

SteamPunk.com.br – Site do Conselho SteamPunk

SteamBook.com.br – Rede Social Brasileira de SteamPunk que conta com mais de 200 membros e mais de uma centena de blogs do gênero nela hospedados

SteamCon.com.br – Site de Eventos SteamPunk e onde se encontra a lista de artistas que compõe a Liga de Artífices SteamPunk

SteamGirls.com.br – Site de SteamPlay, o cosplay Vitoriano e SteamPunk feminino

SteamBoys.com.br – Site de SteamPlay, o cosplay Vitoriano e SteamPunk masculino

aoLimiar.com.br – Rede Social de Editoras, Escritores e Leitores de Literatura Fantástica, uma iniciativa cultural do Conselho SteamPunk destinada a ser uma ferramenta de divulgação, colheita e documentação de talentos da literatura fantástica nacional. Hoje a rede conta com cerca de 200 participantes, sendo estes escritores, editoras e leitores. Também há cerca de 30 livros virtuais reunindo material de escritores consagrados e aspirantes.

É possível discorrer por muitas páginas acerca de cada uma destas iniciativas, mas creio que só por visitar cada um dos sites o entusiasta vá perceber as intenções do Conselho SteamPunk no que se refere a produção cultural de um modo geral e não apenas àquilo que remete a cultura SteamPunk.

Quais são os planos para este fim de ano e para o próximo? Pretendem organizar um evento de âmbito nacional?

O Conselho SteamPunk organizou um evento nacional em 2009, denominado Virtual SteamCon 2009, cujos resultados podem ser vistos em http://steamcon.com.br/virtual-2009/.

Um evento presencial em âmbito nacional só seria possível com apoiadores e patrocínio, o que pode ser bastante complicado em termos logísticos e burocráticos, mas nos propuseram algo do tipo. É esperar e ver que empresa ou instituição gostaria de nossa ajuda.

Sobre “2010: O Ano do Vapor”, lembro que quando cunhei a frase, no início do ano, creio que pode ter parecido um tanto otimista, no entanto, não nos parece. A quantidade de eventos SteamPunk, a publicação da antologia “Vapor Punk” e o lançamento de “Difference Engine” no Brasil são um reflexo disso.

O Conselho SteamPunk está tentando fazer sua parte e creio que o público vai ficar satisfeito com o que estará disponível até o fim do ano. Dentre outras coisas, estamos planejando a Virtual SteamCon 2010, o lançamento de uma ferramenta exclusiva para divulgação de produtos de artistas da Liga de Artífices SteamPunk e iniciativas multimídia que, creio, serão muito importantes para popularizar ainda mais a cultura e o movimento SteamPunk.

Quais são seus autores de referência? Que obra(s) você citaria para exemplificar e resumir o Steampunk?

Embora não possam ser acusados de serem autores SteamPunk, Julio Verne, HG Wells, Conan Doyle, Mary Shelley e Mark Twain podem ser considerados referências para o gênero SteamPunk e certamente leitura importante para aqueles que desejam produzir cultura SteamPunk. Outros autores pré-steampunk mais modernos seriam Harry Harrison, Keith Laumer e Ronald Clark.

A partir da década de 70, Michael Moorcock, Tim Powers, James Blaylock e, logicamente, KW Jeter – que batizou o gênero SteamPunk – formam, junto com William Gibson e Bruce Sterling, o elenco que compõe a bibliografia básica do SteamPunk.

É importante acrescentar que, no Brasil, temos já contistas de grande talento – consagrados ou não – produzindo para publicações já lançadas e mesmo através da internet. Eu ressaltaria os nomes Gianpaolo Celli, Fábio Fernandes, Antonio Luiz M. C. Costa, Alexandre Lancaster, Roberto de Sousa Causo, Claudio Villa, Jacques Barcia, Romeu Martins, Flávio Medeiros, Octavio Aragão, Flávio Medeiros, Eric Novello, Carlos Orsi e Gerson Lodi-Ribeiro.

Como você conheceu o Steampunk?

Como quase todo entusiasta vai te dizer, ao conhecer o SteamPunk você sente que se encontrou ou que aquilo tudo lhe é muito familiar. O fato é que convivemos com elementos estéticos que remetem ao SteamPunk todos os dias, seja através de monumentos históricos do Século XIX ou obras literárias, televisivas ou cinematográficas de ficção científica com elementos ou quase totalmente orientadas ao gênero.

Quando finalmente é exposto ao nome SteamPunk, o entusiasta sente como se já conhecesse o estilo. Deparei-me pela primeira vez com o conceito ao descobrir o RPG GURPS SteamPunk, em meados da década de 1990.

O fato é que para mim e para muitos dos entusiastas que conheço, é difícil separar o SteamPunk do Conselho SteamPunk ao menos no Brasil e é por isso que revisito sua pergunta inicial para afirmar que a melhor descrição do Conselho SteamPunk é: “Um grupo dedicado a inspirar, promover e produzir ficção científica do Século XIX no Século XXI, através de todas as formas de expressão às quais se tenha acesso.”

A autora

Lidia Zuin (@lidiazuin) é estudante de Comunicação Social e Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, autora da iniciação científica “Wired Protocol 7 – um estudo sobre Serial Experiments Lain e a alucinação consensual do ciberespaço” e do conto “Dies Irae”, publicado na coletânea Imaginários 3, da Editora Draco.

SteamPunk ~ Corsets

Também conhecido no Brasil como Espartilho, o corset é praticamente a peça-chave de quase todo visual feminino (e às vezes até mesmo masculino) da temática Steampunk, por ser inspirada na moda durante o Período Regência e a Era Vitoriana. Porém, a história do espartilho começa muito antes do fervor das máquinas à vapor em Londres.

Em 2000 a.C, os habitantes da ilha de Creta já descreviam uma deusa-cobra que vestia uma roupa apertada, que dava suporte ao busto e tinha anéis de couro que acentuavam a cintura. Mas os registros só começam mesmo a partir do século XIII, com o uso de armações e amarras atados à veste para ajudar a compor uma silhueta mais esguia. No século XVI, o espartilho tomou mais a forma a qual conhecemos atualmente. Um colete usado sob os vestidos que terminava na linha da cintura, porém sem a intenção de afiná-la. A função desses corsets era dar uma aparência rígida ao corpo da mulher, endireitando sua postura, mas achatando o busto, fazendo com que empinasse um pouco e aparecesse apenas delicadamente sobre o corset. Não suficiente, uma fina placa de madeira era inserida na frente, através de um pequeno espaço na peça, ajudando a manter o corpo e a veste no lugar. A completa silhueta se dava com o resto do vestido. Naquela época, eles eram corpulentos e volumosos, não apenas na saia, mas também nas mangas e no pescoço, feitos a partir de tecidos pesados e grossos, até mesmo peles de animais.

Século XVI e Século XVI placa de madeira

Desde essa época até a Era Vitoriana, o espartilho sofreu poucas alterações. Fisicamente ele era mais confortável, não restringindo tanto a respiração e servindo mais como um suporte para o busto, tanto que, durante o século XVIII, muitas mulheres trabalhavam com eles e usavam uma peça mais curta, conhecida como “short stay” que muito se assemelha aos sutiãs de hoje em dia. Houve, durante os meados de 1780 até mesmo a volta da valorização das curvas naturais.

Short Stays

Foi apenas durante o período Regência, na fase de transição para o que seria o Vitoriano (Nos anos 1820) que o corset voltou com tudo, ainda com mais funções que seus predecessores. A silhueta ereta e rígida, assim como o contraste do busto com a cintura fina passaram a ser o novo modelo ideal feminino. As saias voltaram a ser encorpadas como no século XVI, fazendo o corpo parecer uma ampulheta. A partir daí, o uso do espartilho tomou proporções ainda maiores, com armações de aço e curvas ainda mais acentuadas (a cintura bem fina e o quadril largo), além do uso também para crianças, para corrigir a postura desde jovem.

Uma vez que que o corset voltou à moda, não saiu mais. Se extendeu por toda a longa era Vitoriana, as saias fartas viraram anquinhas, o modelo bufante dos vestidos deu espaço para os mais elegantes e esguios da Era Edwardiana e ele ainda estava lá. Com a cintura mais baixa, mas ainda assim mantendo a postura e as curvas femininas.

Com mais uma virada de século, dessa vez para o XX, o corset sofreu uma mudança drástica, não por conta da moda, mas sim por causa da guerra. Com a 1ª Guerra Mundial, as indústrias de aço deixaram de ter o foco na peça, para produzir armas e suplementos para o combate. O espartilho foi substituído por lingeries de materiais mais baratos, como sutiãs comuns e corselettes, e a nova posição da mulher no pós-guerra ajudou o corset a cair em declínio. Nos anos 1920 a silhueta Vitoriana já não existia mais e a cintura era apenas demarcada por cintas elásticas.

Apesar da peça cair em desuso, na função básica diária, ela tem sido resgatada por grandes estilistas de moda desde os anos 1980, se tornando parte não apenas das passarelas, mas como influência para novos acessórios e lingeries. O corset também se faz presente em matéria de fetiches e movimentos de rua, como o gótico e, claro, o Steampunk.

Atualmente, a idéia do Tightlacing também tem voltado às mulheres contemporâneas. A prática foi criada em 1840 e nada mais é que o uso constante de corsets estruturados como antigamente, para o afinamento da cintura. Algumas lojas especializadas confeccionam os espartilhos ideais para o tight-lacing. O recomendado é o feito sob medida, com 10cm a menos que sua cintura original, feito em tela ou qualquer outro material que permita a pele respirar e que permita a movimentação sem desconfortos, por isso o mais adequado é o underbust (sob o busto) ou o que fica apenas ao redor da cintura, tudo sob a roupa, como uma lingerie.

Porém, o tightlacing requer cuidados. Desde as épocas mais remotas do corset, especialmente na Era Vitoriana, os médicos já ficavam de cabelo em pé sobre o uso demasiado de espartilhos. Isso porque o corset, quando começa a moldar a estrutura do corpo, afeta a estrutura óssea e a posição dos órgãos, causando uma porção de problemas se não usados com cautela, como desmaios, respiração arfada e outros inconvenientes por conta do deslocamento do fígado e a redução do estômago. Além disso, se muito fina, a cintura pode comprometer a coluna.

A prática do Tightlacing deve ser feita com bom senso, por uma pessoa saudável (diabéticos, pessoas com problemas respiratórios e de coluna estão dispensados) com materiais de boa qualidade e um bom acompanhamento, depois de uma longa pesquisa.

Quer dizer então que eu posso usar o meu corset do Mercado Livre para fazer tightlacing?

De jeito nenhum, por um motivo bem simples. Com a popularização do corset, especialmente no setor de lingeries sensuais, toda uma indústria de “corsets falsos” foi criada. No Brasil, essas peças são comumente chamadas de Corseletes e isso se dá porque elas não apresentam a estrutura de um corset “de verdade”. Os espartilhos ideais são feitos de camadas e camadas de tecidos resistentes, reforçados em partes estratégicas e amarrados nas costas, tendo toda uma armação de aço ou de alumínio por dentro. É por isso que marca tão bem a silhueta, arruma a postura e afina a cintura. Todos os corsets reais tem a estrutura para o tightlacing, mas nem todos são os ideais para a prática, por conta do material, formato, etc. Porém, nenhum Corselete realmente estrutura o corpo humano, eles tem apenas a aparência bonita e são infinitamente mais baratos. Os tecidos usados são, na maioria das vezes, em uma camada só, dando apenas o visual de corset, mas não factualmente enfatizando as curvas ou afinando a cintura, tendo quase sempre barbatanas feitas de plástico.

E quais são os modelos mais comuns existentes hoje em dia?

Underbust: São corsets que começam logo abaixo da linha do busto. Podem ser usados tanto por baixo quanto por cima da roupa, dependendo do material.

Overbust: São os que cobrem o peito. Eles vão inteiro, desde o colo até a linha pélvica.

Midbust: São os modelos que cobrem parcialmente o busto, ficando na altura dos mamilos e enfatizando ainda mais o colo.

E existe mesmo corset para homens?

Definitivamente. O corset masculino, assim como o o feminino, serve para ajustar a postura e deixar a coluna ereta. É normalmente visto em coletes fechados ou em underbust, dando um ar ainda mais elegante para todo o figurino.

Seja em mulheres ou homens, no passado ou nos dias atuais, o espartilho é, sem dúvida, uma peça exótica e charmosa, que usa de uma postura austera para uma exímia elegância, que apenas ele e todas as suas estruturas podem proporcionar. Por isso, no Steampunk, deve-se usar e abusar, criando novos acessórios e penduricalhos trazendo ainda mais beleza a toda estética do vapor.

A autora

Dana Guedes (@dana_aoi) é de São Paulo, é escritora amadora, tem formação em Design Editorial e é entusiasta do gênero e do movimento SteamPunk.

Diligente, Dana Guedes foi uma das primeiras pessoas a contatar o Conselho SteamPunk acerca da iniciativa Literária aoLimiar e a ajudar a conceituar a Rede Social de Editoras, Escritores e Leitores de Literatura Fantástica.

SteamPunk Supermarket Week

Esta semana, do dia 20 de Março de 2010 até o dia 28 de Março de 2010, Steamers de todo o mundo estão convidados a participar de um evento internacional.

Para participar entre no endereço da International SteamPunk Supermarket Week, confirme sua participação e corra para um supermercado com sua melhor indumentária SteamPunk.

As fotos tiradas enquanto você faz suas compras poderão então ser publicadas por você neste endereço e sugere-se que as publique também em seu blog.

Se você não tem um blog sobre o gênero do qual é entusiasta é o momento de entrar no SteamBook ~ A Rede Social SteamPunk, cadastrar-se e montar um blog de graça só pra você.

Participe do International SteamPunk Supermarket Week! E se você não sabe como montar sua indumentária SteamPunk, dê uma olhada nos endereços e na galeria abaixo.

Tutoriais SteamPunk

Galeria para Inspiração

SteamPunk de Volta

Parece que somente em 2010 – apelidado “O Ano do Vapor” – o SteamPunk começa a tomar forma, saindo do posto de gênero literário e ganhando status de movimento cultural.

Para a mídia, o SteamPunk desabrocha nesse início de ano, causando curiosidade e ganhando notoriedade na imprensa. Desde 2008, os membros do Conselho Steampunk, assim como entusiastas SteamPunk – os Steamers – realizam um trabalho apaixonado resgatando algumas de nossas raízes históricas poucas vezes lembrada.

Em meio a esse burburinho, com o intuito de divulgar e esclarecer mais sobre a cultura SteamPunk, a Loja São Paulo realizará dia 20 de março de 2010 um SteamCamp – um evento informal do gênero – reunindo membros do Conselho SteamPunk, imprensa, entusiastas e interessados na cultura Steam.

O evento, chamado “SteamPunk de Volta” , faz referência e homenageia Alexandre Volta, responsável pela criação do primeiro dispositivo capaz de gerar corrente elétrica contínua.

O “SteamPunk de Volta” acontecerá logo mais no Memorial dos Imigrantes, às 13 horas, e terá em sua programação um bate-papo informal sobre o Movimento SteamPunk (sua história e seus desdobramentos), exibição de belas vestimentas Vitorianas/SteamPunk, sarau de prosa e poesia Vitoriana, além do “Café Biográfico”, com leitura de textos referentes a Alexandre Volta.

Para encerrar a programação de maneira charmosamente Vitoriana, o evento tem como desfecho um passeio de Maria Fumaça com passageiros trajando roupas da época.

E os Steamers começam 2010 verdadeiramente a todo vapor.

Serviço

Memorial do Imigrante
Rua Visconde de Parnaíba, 1316
Mooca – São Paulo – SP
CEP 03164-300

Baixe o Poster do “SteamPunk de Volta”

A autora

Carol Fortuna é do Rio de Janeiro, Produtora Cultura, Atriz, Redatora do OutraCoisa.com.br e musa inspiradora em tempo integral de Bruno Accioly – co-fundador do Conselho SteamPunk.

Força motriz de boa parte das iniciativas do Conselho SteamPunk na Internet, Carol Fortuna sabe como colocar lenha na caldeira!

SteamPunk ~ A Dança e o Movimento

Pelo mundo afora, a cultura SteamPunk se propagou em diversas manifestações artísticas, saindo do nicho literário e do cinema, chegando também à música e, por consequência, à dança. Mas diferente do que se imagina, a última nada tem a ver com os bailes vitorianos que se sucediam na alta nobreza, em salões espalhafatosos de candelabros e castiçais de diamantes. Não. A maior e mais conhecida de todas as expressões acabou se dando na dança do ventre, em um estilo chamado Tribal Fusion.

O Tribal foi criado nos anos 70/80, nos Estados Unidos, por Carolena Nericcio, dançarina e diretora do grupo FatChanceBellyDance, um dos maiores representantes do estilo até hoje. Carolena uniu a dança do ventre clássica e tradicional a elementos de outros tipos de dança, como a egípcia e folclóricas, adicionando também uma nova postura, com braços mais elevados e pés mais rentes, junto ao chão. As vestimentas também mudaram, atribuindo tatuagens, flores e outros elementos mais naturais e primitivos, como adorno. A esse estilo, Carolena deu o nome de American Tribal Style, mais conhecido como ATS. O ATS é essencialmente uma dança em grupo, o que dá a característica de “tribo” – dái o uso da palavra “tribal” – e baseado em danças de improviso. Alguns passos são característicos e a dançarina à frente indica com um sinal de dança, o movimento que irá fazer a seguir, desse jeito fazendo todo o grupo ser apto a imitá-la.

Porém, ao longo dos anos, com a disseminação do ATS, outros tipos de dança começaram a incorporar o Tribal. As regras essenciais do estilo começaram a ser mudadas, tornando a dança cada vez mais pessoal e com mais da personalidade da dançarina. Foi criada, então, uma vertente do ATS, conhecida como Tribal Fusion. Esse estilo é mais popular que o de Carolena, por ser mais abrangente. Apesar de se manter ainda grande parte da postura original, o Tribal Fusion pode agregar e se mesclar a praticamente todos os tipos de dança, os mais comuns sendo o hip hop, o break, a dança indiana, o flamenco e até mesmo danças de cabaré. As músicas escolhidas são das mais variadas, existindo desde música eletrônica, World fusion music, hip hop, trip hop até mesmo Gothic e Heavy Metal. Músicas circenses, vintage e outros tipos também podem entrar, tudo depende do gosto de quem irá dançar e da coreografia.

Por conta disso, foi muito fácil o SteamPunk também se manifestar no Tribal. Além das bandas cujas influências são essencialmente do movimento, como Abney Park, Clockwork Quartet, Unextraordinary Gentleman e Dr. Steel, outras bandas, com sons metálicos ou que lembram, de certa forma, músicas de filmes antigos, também são escolhidas, como é o caso de Beats Antique. As roupas, assim como em todo o movimento do Tribal Fusion, sai a gosto do freguês, mas a maioria das fãs do gênero encontra uma forma de intercalar as influências do vitoriano e acessórios SteamPunk à forma da roupa de dança, que deve ter boa mobilidade e, claro, mostrar o ventre.



No Brasil, o ATS e o Tribal Fusion são acontecimentos recentes. Os primeiros workshops e primeiros professores do estilo por aqui, apareceram apenas em 2007. Em julho de 2009, aconteceu o primeiro encontro internacional de Tribal Fusion do Brasil, em São Caetano do Sul, e em outubro do mesmo ano, o primeiro evento voltado à dança da cidade de São Paulo. Apesar disso, o estilo está crescendo a cada dia, ganhando mais dançarinas, que já eram ou não envolvidas na dança do ventre clássica. Com isso, e com o crescimento também do movimento SteamPunk no país, quem sabe em breve não teremos bailarinas nacionais movimentadas a vapor, huh?

A autora

Dana Guedes (@dana_aoi) é de São Paulo, é escritora amadora, tem formação em Design Editorial e é entusiasta do gênero e do movimento SteamPunk.

Diligente, Dana Guedes foi uma das primeiras pessoas a contatar o Conselho SteamPunk acerca da iniciativa Literária aoLimiar e a ajudar a conceituar a Rede Social de Editoras, Escritores e Leitores de Literatura Fantástica.

Moda SteamPunk

AnnRose

Que a cultura Steampunk tem marcado presença e crescido nos ramos da Literatura e do Cinema, todos já sabem. Porém, agora, a idéia e as peculiaridades do movimento tem tomado seu espaço também na moda e no cotidiano. Claro que no Brasil isso está apenas começando, mas em países do exterior, o Steampunk já se manifesta em diversas vertentes, como design de jóias, vestuário, músicas, dança e até mesmo festas, exposições e casamentos. Os assuntos são tantos que são necessários diversos artigos para poder mostrar e detalhar cada uma das coisas. Neste, no entanto, vamos tratar sobre apenas um deles e, talvez, o mais popular, especialmente no nosso país: A moda e a criação de visuais Steampunk.

Assim como nos Estados Unidos, nós, brasileiros, temos diversos eventos culturais para jovens e entusiastas de algum gênero. Seja encontro de fãs, de fóruns, ou eventos mais elaborados que acontecem anualmente, como os eventos de animação japonesa, que reúnem centenas de pessoas que costumam praticar um hobby chamado Cosplay. O termo vem da união das palavras em inglês “Costume” e “Play”, ou seja, brincar de se vestir de alguma coisa, de se fantasiar. Começada com Star Wars, nos Estados Unidos, a prática se alastrou para o Japão, onde ficou mais popular, e chegou ao Brasil pelas bandas dos anos 90, crescendo e ganhando seu espaço. Entre os fãs de animação e ficção científica, o conhecimento do hobby ou sua prática, é bem popular e, por conta disso, a moda e os visuais Steampunk também começaram a surgir, de poucos anos para cá, crescendo mais e ganhando mais fãs ao longo do tempo.

E como funciona transformar um gênero de ficção em vestimentas?

A moda nada mais é que uma forma de tradução e de expressão através das roupas. Por conta disso, a moda Steampunk desce até a essência do gênero, buscando ali a inspiração necessária para a criação de modelos e peças. O cenário Steam é essencialmente britânico, por conta da Revolução Industrial, que começou em Londres no século 18, passando pelo século 19, num período de diferentes regências, conhecidos como Era Georgiana e Era Vitoriana, cada qual com suas próprias peculiariades.

As vestes da Era Georgiana/Período Regência (1714 – 1837), por exemplo, trazia para as damas desde vestidos marcados logo abaixo do busto, até o início do uso dos corsets, de decote reto e baixo, criando uma cintura fina e os quadris largos, com saias cheias e armadas. Para os cavalheiros, a cartola era essencial, assim como fraques por cima de camisas de gola alta e calças colantes por dentro de botas até o joelho. Já a Era Vitoriana (1837 – 1901) trazia para as mulheres vestidos mais fechados, porém com o tronco bem marcado por corsets e saias mais justas na frente, formando pregas, mas com o uso das anquinhas para ressaltar a parte de trás dos quadris. Os homens usavam coletes, capas, lace jabot e outras gravatas clássicas, fraques acinturados e, claro, cartolas.

Porém, estamos tratando aqui de moda Steampunk e não da moda clássica que existiu na nossa história. Por conta disso, tomamos o original como base e usamos acessórios para complementá-los, exatamente como se faz na ficção. Pelo gênero ter uma tecnologia avançada e um mundo muito mais movido ao vapor, os maquinários entram nas peças do vestuário, formando um visual muito mais condizente com essa nova versão da Revolução Industrial. Ao invés de serem apenas roupas, a vestimenta acaba por caracterizar um tipo de personagem. Por exemplo, uma garota que utiliza o modelo de um vestido vitoriano, estiliza o corset, colocando diversas fivelas, detalhes com rebites, engrenagens e um cinto de utilidades com armas, binóculos e engenhocas num geral, deixa de ser apenas uma jovem dama inglesa e se torna uma mercenária, por exemplo.

A partir daí, a criação e a criatividade é por conta de quem vai vestir a roupa. Uma das coisas mais importantes sempre é pensar o que exatamente o conjunto da obra irá representar. O que isso quer dizer? A idéia de um personagem para aquela veste. Se a roupa irá representar um inventor, um aventureiro, um caçador, um mercenário, um cientista, um pirata, um ferreiro, enfim, aquilo que mais agrada o criador da roupa. Isso também facilita para pensar que tipo de acessórios ou peças serão necessárias e confeccionadas. Ao ter isso decidido, até mesmo o modelo da roupa fica mais simples de se escolher, assim como os tecidos que serão utilizados e suas devidas modificações. Uma aventureira, por exemplo, não poderia se meter em diversas situações usando um vestido de porte enorme, com enchimentos e anquinhas. Em casos como esse, a criadora da roupa pensaria em como adaptar, pensando em como deixar as pernas mais livres, para caso tivessem que correr para pular em um trem em movimento. O mesmo vale para os cavalheiros. Nenhum cientista usaria seu melhor terno de linho fino para testar suas experiências com eletricidade e química. É por isso que tendo a idéia geral do tipo de gênero de personagem e roupa que agrade, é mais fácil construir todo o resto.

Quer dizer que só existe moda Steampunk baseada na moda Londrina?

De forma alguma. Apesar do gênero ter sido criado a partir dessa base, ele possui uma estrutura que o permite ser utilizado em diversos outros lugares, como no Brasil, que pode ser visto até na compilação de contos de escritores brasileiros (Steampunk – Histórias de Um Passado Extraordinário) e no famoso Velho Oeste, uma das vertentes muito populares no Steampunk, também por causa de Wild Wild West, regravado em filme em 1999. Na verdade, não há restrições para a aplicação do Steampunk na História de um país, tudo depende da imaginação do criador da história, do personagem e, claro, das vestimentas. Apesar de ter sido um movimento essencialmente europeu, nada impediria, por exemplo, da existência de Steampunk no Japão, tomando pelo gancho a abertura dos portos do país para o ocidente em 1868. Um samurai com acessórios de metal e katanas tecnológicas misturado ao kimono seria algo realmente interessante de se ver, assim como vestes coreanas e chinesas também com influência da tecnologia do vapor. E por que não também as tribos indígenas americanas durante o Velho Oeste com influencia Steampunk? Com os penachos, as franjas e engrenagens?

A moda existe ao longo da imaginação, porém a única coisa que se deve tomar sempre cuidado é a época, os anos e as eras, já que na ficção é clara a referência do início da Revolução Industrial e, após isso, acaba por se tornar Dieselpunk.

Tudo bem, então o visual Steampunk é, na maioria, inspirado na Europa, especialmente em Londres, mas pode-se também ter outras adaptações livres de acordo com a imaginação. Mas e os acessórios?

Os acessórios também são livres. O gênero prega uma tecnologia muito mais avançada do que a realmente alcançada da nossa História, portanto todo tipo de criação é aceita, contanto que movida ao vapor, como se tivesse mesmo sido realizada naquela época. Porém, entre os fãs e os praticantes dessa moda Steampunk, alguns acessórios são mais famosos, como os goggles (óculos de proteção), armas a laser, propulsores em mochila para as costas, partes mecânicas no corpo e até mesmo asas de metal. Tudo é geralmente banhado no ouro velho, com aparência envelhecida, com engrenagens e milhares de partes, como se todas tivessem sido feitas à mão. A aparência de “geringonça”, com botões e dezenas de peças para “fazer funcionar” é bem normal. Muitos também adaptam relógios, bússolas e outros instrumentos de direção, assim como binóculos e ferramentas. Para cientistas e inventores também é comum uso de garrafas com aparência de antigamente, diversas vezes feitas a partir de antigos frascos de remédio.

A dica, sempre, é dar asas à imaginação e buscar referências, não apenas de como funciona no original, mas também buscar outras pessoas que talvez já tenham feito aquilo, para ter mais idéias visuais e fazer alguma coisa ainda mais legal. A moda Steampunk é deliciosa de se explorar, por conta de todas as idéias que podem ser expressas nela, e a riqueza de detalhes deixa tudo ainda mais bonito. Por isso, pesquisar bastante é sempre o ideal, e fazer o máximo possível dentro de seus próprios limites. Assim, as roupas ficam ainda mais elaboradas, passando toda a idéia que se tem em mente, trazendo ainda mais satisfação na hora de se vestir e se divertir.

AnnRose

A autora

Dana Guedes (@dana_aoi) é de São Paulo, é escritora amadora, tem formação em Design Editorial e é entusiasta do gênero e do movimento SteamPunk.

Diligente, Dana Guedes foi uma das primeiras pessoas a contatar o Conselho SteamPunk acerca da iniciativa Literária aoLimiar e a ajudar a conceituar a Rede Social de Editoras, Escritores e Leitores de Literatura Fantástica.

Fotos nacionais do Núcleo SteamPunk de Bragança Paulista.
Design de Moda por AnnRose

SteamPunk Tokyo Disney Sea

Port Discovery e Mysterious Island

Olá a todos os leitores do Steampunk.com.br, é com muito prazer que escrevo aqui pela primeira vez.

Meu nome é Dana, tenho 23 anos e sou fã do gênero há alguns anos, entrando mais a fundo cerca de um ano e meio atrás. Apesar da apresentação ser dispensável, especialmente por não ter nada a ver com o artigo que venho compartilhar, achei válido dizer um pouco sobre quem eu sou, antes de começar a dividir com vocês uma experiência incrível que a Disney de Tokyo me proporcionou.

Para aqueles que não sabem, a Disneyland possui parques não apenas nos EUA, mas também em cidades como Paris, Hong Kong, Shanghai e, claro, Tokyo. O Resort da capital do Japão é dividido em duas partes: A Tokyo Disneyland e a Tokyo Disney Sea, essa última existindo apenas lá, combinando diversos brinquedos de várias Disneys do mundo, criando um parque basicamente voltado para temas aquáticos, cidades portuárias e com atrações muito mais adultas e mais emocionantes, como a famosa Tower of Terror, o elevador que despenca cerca de 55 metros. Entre outras atrações realmente interessantes e de alta adrenalina, temos uma pirâmide asteca tão real quanto a original, que abriga o Indiana Jones Adventure: Temple of the Crystal Skull, uma aventura de montanha-russa que leva a todos para um cenário praticamente dentro do filme.

Tudo bem, ok, até agora está tudo muito legal, mas e o Steampunk?

Calma, meu caro Watson, já estamos chegando lá. Uma das coisas interessantes que vemos na Disney é a divisão por “setores”, como se fossem pequenos mundos dentro do grande parque. O primeiro que chamou minha atenção para a influência Steampunk foi o Port Discovery. O próprio conceito já diz tudo: Seria o local onde se faz todo o controle do tempo da Disney, medido por diversas engenhocas e instrumentos de observação. Quase como se fosse a base científica de algum meteorolgista louco. As atrações ali incluem o StormRider, um simulador incrível de pesquisa e caça a furacões; o Aquatopia, um ‘passeio’ aquático em carrinhos realmente legais e um pequeno trem, de locomoção interna pela Disney.

Mas o que realmente impressiona em Port Discovery não são apenas as atrações, que, claro, contam com a melhor tecnologia possível, mas sim a riqueza de detalhes dos cenários e a imaginação para se criar cada uma daquelas coisas. Desde as lâmpadas, passando pelo carrinho de pipocas, as latas de lixo e as lojinhas de tranqueiras. Tudo é perfeitamente temático, com satélites e parabólicas adaptados de um jeito que, antes disso, apenas a minha imaginação e os filmes poderiam me proporcionar. Era tudo tão real e parecia funcionar tão bem, que era realmente difícil acreditar que era construído apenas pelo entretenimento, como cenário.

Como se não fosse suficiente a empolgação de passear por um lugar como aquele, meu coração se depara com a maior e mais emocionante surpresa de todas. Depois do adorável Mermaid Lagoon, atravessando uma passagem quase escondida, cheguei à Mysterious Island, o lugar que nada mais, nada menos, foi inspirado em quase todas as obras de Júlio Verne, como se pode perceber pelo nome. É até difícil encontrar palavras para descrever um cenário que era tão bonito, que até enchia os olhos de lágrimas.

Exatamente pela Tokyo Disney Sea ser tão aquática, nada poderia ser mais inspirador que 20.000 Léguas Submarinas, para dominar todo o cenário externo. Tudo parecia ter sido escavado com as máquinas que ainda estavam ali. O vapor ainda saía dos pequenos buracos entre as pedras e, entre tudo aquilo, podíamos ver o Nautilus, em toda sua granditude, ancorado no porto, com os motores ligados, pronto para partir assim que o Capitão Nemo chegasse. Todas as lojas de souvenir, os pipoqueiros, também pareciam pertencer àquele mundo, com decorações como escafandros e tubulações, e até mesmo os restaurantes e cafés eram em meio às grandes construções esverdeadas de metal, que estavam em todos os lugares.

E ainda dentro de Mysterious Island, descendo por um túnel, cheguei à Viagem ao Centro da Terra, a única atração de Verne que eu pude ir. Por conta do frio absurdo que fazia, era impossível ficar mais de uma hora na fila de 20.000 Léguas Submarinas, então deixo essa aventura para quem puder relatá-las em uma outra ocasião. A fila de Viagem ao Centro da Terra durou quase 3 horas, por ser uma atração bastante disputada. Porém, era notável o cuidado com detalhes até mesmo ali.

Na espera, podíamos ver cenários montados com todas as pesquisas e os estudos feitos pelo professor e seu sobrinho. As mesas com as experiências, os testes, instrumentos e até mesmo mapas e pinturas sobre o lugar. A atração também era uma volta de montanha russa, passando por todos os lugares que apareciam no livro. Os cristais, os cogumelos, ficando mais rápida depois de encontrar o monstro no final, subindo e dando uma queda livre de deixar qualquer um com um frio na espinha.

E depois de tudo isso, eu encerro esse relato, com o motto que se encontra logo no corredor de saída, no final da atração. Uma placa de metal soldado com dizeres de arrepiar qualquer um, especialmente os fãs de Steampunk. “Life is an Astounding Journey” (A vida é uma jornada surpreendente). E realmente é.

A autora

Dana Guedes (@dana_aoi) é de São Paulo, é escritora amadora, tem formação em Design Editorial e é entusiasta do gênero e do movimento SteamPunk.

Diligente, Dana Guedes foi uma das primeiras pessoas a contatar o Conselho SteamPunk acerca da iniciativa Literária aoLimiar e a ajudar a conceituar a Rede Social de Editoras, Escritores e Leitores de Literatura Fantástica.

Fantástica Jornada Noite Adentro III

Convite Jornada Extraordinária

O Conselho SteamPunk gostaria de alertar ao entusiasta do gênero que neste dia 27 de Novembro de 2009, o mais importante evento da história do movimento SteamPunk no Brasil, vai ocorrer em São Paulo, na Biblioteca Temática Viriato Correa.

A afirmação pode parecer exagerada a princípio, mas medindo o volume de divulgação e o conteúdo que será exposto no evento percebe-se que se trata de um momento muito especial para o gênero no país.

É sobretudo graças ao esforço de Silvio Alexandre, organizador da Fantasticon, que o entusiasta ganha este presente, tendo acesso a tudo que vem sendo produzido em termos de cultura SteamPunk/Vitoriana por aqui e tendo a oportunidade de dividir suas idéias com outros entusiastas.

Também organizado por Sílvio Alexandre, um bate-papo entre Gianpaolo Celli (editor da primeira publicação nacional SteamPunk), Fábio Fernandes (escritor e evangelista literário) e eu mesmo, tivemos a oportunidade de falar acerca do gênero e responder perguntas à jornalistas e outros autores – o que ficou registrado em vídeo no site da TV Cronópios.

Bruno Accioly, Gianpaolo Celli e Fábio Fernandes

Igualmente deve ser elogiado o trabalho de Gianpaolo Celli, no livro “SteamPunk, Histórias de um Passado Extraordinário” pelo tão oportuno lançamento da obra; dos escritores que fizeram um trabalho soberbo nas páginas da publicação; da Confraria das Idéias, cujo trabalho de organização da seção de Live Action RPG vai ser com certeza um sucesso; de Fábio Fernandes, Ana Cristina Rodrigues e Romeu Martins, que vêm chancelando o gênero no país; e da Loja São Paulo do Conselho SteamPunk, que auxiliou sempre que possível a organização do evento, contatando e indicando artistas membros da Liga de Artífices SteamPunk.

Este é um momento muito especial na história do movimento SteamPunk e é por isso mesmo que resolvemos requisitar a presença de todos os nossos leitores no evento que promete ser uma iguaria multimídia para os sentidos dos fãs do gênero e um evento para iniciantes e conhecedores de obras SteamPunk.

Se você se considera um entusiasta do gênero SteamPunk, se deseja participar do Movimento SteamPunk e se admira o trabalho do Conselho SteamPunk e de todas as pessoas que vêm, de alguma forma, se esforçando para o crescimento do gênero no país, compareça neste evento! Participe da história do SteamPunk do Brasil e nos ajude a transformar o dia 27 de Novembro de 2009 em um marco inesquecível para todos nós!

Atualização

Programação

Desfile performático (Dia 27, às 22h)
Um desfile de moda Steampunk composto por modelos feitos a partir de tecidos antigos que quase não se usam mais como o morin, cambraia de linho, juta, fibras vegetais, sendo alguns de seda misturados com alguns elementos feitos artesanalmente como luvas e chapéus.
A estilista Lili Angelika busca a união do romantismo com elementos de uma realidade pós-apocalíptica, inspirado em filmes Cyberpunks, Steampunks e de Fantasia como “Van Helsing”, “Blade Runner”, “Cavaleiro sem Cabeça”, “Stardust”, “A Liga Extraordinária”, entre outros.

Apresentação Teatral (Dia 27, às 22h30)
A atriz Cristiana Gimenes, da Cia Em Cena Ser, apresenta textos Steampunk, selecionados por Karl F.

Bate-papo: Saiba tudo sobre Steampunk (Dia 27, às 23h)
Gerson Lodi-Ribeiro, Bruno Accioly e Karl F. falam sobre os princípios, e o que é Steampunk, sua presença na literatura, no cinema e como sub-cultura. A mediação será de Silvio Alexandre.

Exibição de filmes (dia 27, às 24h; dia 28, às 2h e 4h)

RPG live-action: “Steam-live” (dia 27, a partir da meia-noite)
Durante a madrugada acontecerá o RPG live-action, “Steam-live”. Em breve, mais informações sobre a história e cenário. Coord.: Confraria das Idéias.

Obs.: Para as atividades do teatro é necessário retirar ingresso, sujeito à lotação da sala (101 lugares), no dia 27, a partir das 21h. Durante os intervalos das projeções, ocorrem esquetes teatrais. Após a meia-noite, você pode assistir aos filmes no auditório ou acompanhar o jogo de RPG /Live-action no andar térreo. Para participar do jogo é preciso se inscrever antecipadamente.


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SteamPunk ~ Sítio do Pica-Pau Amarelo

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Arthur Moreno Milan Parreira é de Londrina, Paraná, e, como trabalho de Conclusão do Curso de artes Visuais Multimídia, elaborou uma releitura SteamPunk da obra “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”, de Monteiro Lobato.

O trabalho foi desenvolvido com o intuito de relacionar literatura e video-games e, por princípio se utilizou apenas de software livre, dentre eles o Sistema Operacional Ubuntu 8.10, o GIMP e o Inkscape.

O artista é também empresário e sua firma se chama RedFoot e se dedica a terceirzação de arte para jogos e outros fins.

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Foi uma grata surpresa receber o trabalho de Arthur, até porque a Loja Rio de Janeiro do Conselho SteamPunk também tem um projeto ligado ao Sítio do Pica-Pau Amarelo, que se chama “Herdade” e que era uma de nossas surpresas para 2010.

É maravilhoso que duas obras estejam concomitantemente fazendo uma releitura SteamPunk da obra de Monteiro Lobato ao mesmo tempo. Isso significa que o gênero está de fato se popularizando e que, embora ainda haja muito chão a ser percorrido, o Zeitgeist aponta para o ano de 2010 como sendo “O Ano do Vapor”!

Logicamente ambos os trabalhos são meramente um exercício não comercial de exploração do trabalho ficcional de Lobato, até porque a obra não é de domínio público e só passará a ser em 2018.

Independente das questões legais, contudo, Arthur e a Loja Rio de Janeiro continua pintando com as cores que Lobato usou para produzir “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”!

SteamPunk Live Action RPG
Jornada à Tunguska

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Já há alguns meses o Conselho SteamPunk mantém uma frutífera parceria com o site alemão ClockWork.de, organizado por Alex Jahnke, Boris Bernhard e Johanna Sievers – esta última tendo já feito algumas visitas ao nosso país e partilhado importantes informações sobre o panorama do SteamPunk europeu.

No último fim de semana, o site organizou um evento que contou com 35 pessoas em um LARP (Live Action Role Playing, um Jogo de RPG em que as pessoas se vestem a caráter e no qual interpretam seus personagens) que envolveu o aluguel de um trem a vapor e que se estendeu por 24 horas, da sexta, dia 25 até domingo, dia 27 de Setembro de 2009.

Os jogadores tiveram de permanecer em seus personagens o tempo todo, comendo e bebendo no ambiente dos vagões e vivendo o enredo do LARP como se fossem de fato os personagens.

Alex e Johanna têm bastante experiência em LARP, estando envolvidos com Mythodea, um jogo Live Action que conta com milhares de jogadores, que constroem uma verdadeira cidade e ficam dias vivendo seus personagens em um enredo de fantasia medieval.

No caso de Die Reise nach Tunguska, o enredo envolvia uma viagem de trem da Alemanha até a Sibéria, onde um Cientista, acompanhado de uma bela assistente um charmoso assistente, mencionara sua nova invenção, que pretendia revelar no dia seguinte, caso os passageiros estivessem interessados.

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No melhor estilo Agatha Christie, em “Assassinato no Expresso do Oriente”, o Cientista é encontrado morto.

Em meio a uma história de mistério e suspense os passageiros acabam descobrindo que o assistente do Cientista era, na verdade, um autômato que, por motivos de mal funcionamento, havia se voltado contra seu criador e, então, começara a perseguir os viajantes e matá-los, até que o grupo finalmente conseguiu subjugar o andróide.

Johanna Sievers entrou em contato com o Conselho SteamPunk assim que voltou de sua fascinante viagem a esta viagem ficcional no tempo e no espaço e nos enviou as fotos abaixo e um vídeo teaser.

Photos – Copyright Robin Ratay & Karsten Dombrowski 2009

Ver o Vídeo Teaser

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