Cobertura da RPGCon 2009

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O Vozes da Terceira Terra e o X4TV fizeram uma cobertura da participação da Loja São Paulo do Conselho SteamPunk no evento RPGCon 2009.

Vale a pena ouvir o podcast abaixo e assistir ao vídeo feito pela X4TV.

Vozes da Terceira Terra

A equipe do Vozes da Terceira Terra, Marcelo, Netão, Rodolfo e Taz fizeram um podcast cobrindo a RPGCon, do qual um resumo pode ser ouvido clicando abaixo:

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X4TV

Entrevista para O Estado RJ Online

Entrevista para Rudge Ramos Online/Metodista

Esta entrevista foi dada para a revista de Internet O Estado RJ Online, e feita por Maria Clara Senra.

O Estado RJ Online: O que é o Conselho SteamPunk e quem o fundou?

Meu nome é Bruno Accioly, sou analista de sistemas editor chefe do OutraCoisa.com.br e co-fundador do Conselho SteamPunk, criado em 2008 por mim e por Raul Cândido Ruiz.

O Conselho SteamPunk tem por objetivo divulgar, explicar, inspirar, homenagear e produzir cultura SteamPunk e está presente em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul através de grupos denominados “Lojas”, para as quais o Conselho fornece infra-estrutura de hospedagem internet e soluções tecnológicas de forma gratuita.

O Estado RJ Online: Qual é a origem do termo “steampunk”?

O termo SteamPunk surge como uma corruptela do termo CyberPunk. Uma vez que o CyberPunk era um sub-gênero da ficção científica que se ambienta em uma sociedade de alta tecnologia e o SteamPunk se ambienta em uma realidade marcada pelo uso do Vapor (Steam), o escritor K.W. Jeter achou por bem batizar classificar seus trabalhos e os de alguns outros autores da mesma forma.

Há algum debate sobre o nome até hoje, mas acaba que “Punk” no “SteamPunk” ficou menos importante em termos de significado.

O Estado RJ Online: O que é ser “steampunk”? Qual a origem dessa “tribo”?

Cada vez mais usa-se o termo SteamPunk para descrever mais que um sub-gênero da ficção científica. Antes de explicar o que é “ser” SteamPunk é preciso explicar o que é o SteamPunk.

Trata-se de uma proposta de ambientar uma história – contada em literatura, quadrinhos, filmes ou no meio que se deseje – em um Universo onde todo o apelo estético-cultural se baseia na Era Vitoriana. Este período do Século XIX foi marcado pela revolução industrial, evoluções na engenharia e pela eufórica sensação de que todos os problemas do mundo seriam resolvidos através de máquinas suficientemente complexas.

Os entusiastas do gênero SteamPunk costumam se interessar por todo material publicado dentro desta proposta e, em alguns casos, se filiar a instituições como o Conselho SteamPunk (www.steampunk.com.br), montar seu próprio grupo SteamPunk ou mesmo participar de eventos usando roupas vitorianas e apetrechos tecnológicos anacrônicos e retrofuturistas.

Ser SteamPunk, ou Steamer, não é tão diferente de ser Trekker (Star Trek), Jedier (Star Wars), Brown Coat (Firefly). A maior diferença é que não existe um “dono” do gênero SteamPunk, o que permite que qualquer um produza cultura SteamPunk, em qualquer meio disponível.

O Estado RJ Online: Quais são os ídolos dos Steamers?

Por conta de o sub-gênero SteamPunk ser atribuído até mesmo a autores que já existiam antes do termo ter sido cunhado, como Julio Verne e H.G.Wells, muitos dos autores adorados por Steamers não são contemporâneos e boa parte da literatura Vitoriana, de alguma forma, nos inspira interesse.

A maior parte dos ídolos dos Steamers são autores, mas há uma tendência clara para a adoração da obra, acima do autor, a meu ver.

É o caso de livros como “20 mil Léguas Submarinas”, “A Máquina do Tempo”, “Bússola Dourada”; filmes como “Liga Extraordinária”, “SteamBoy”, “Van Helsing” e “A Cidade das Crianças Perdidas”; quadrinhos como “Girl Genious”, “Steam Detectives” e “Iron West”; e até mesmo bandas, como é o caso de Abney Park.

Há também um carinho especial por figuras históricas ligadas ao gênero, como Nicola Tesla, Santos Dumont, Charles Babbage, Oswaldo Cruz, Louis-Jacques-Mandé Daguerre, Thomas Carlyle, Francisco Freire Allemão, Thomas Edison, João Batista de Lacerda e tantos outros.

Isso dá um caráter importante a cultura SteamPunk, uma vez que a enraíza no imaginário do entusiasta através não só do entretenimento, mas do despertar da curiosidade a respeito da história.

O Estado RJ Online: Na comunidade do orkut “steampunk”, fala-se sobre a influência de Julio Verne e Mark Twain dentro dessa cultura. De que forma essa influência ocorre?

Não é muito difícil compreender, na verdade. Afinal, ambos os autores são referência da cultura da época, seja em termos de linguagem, costumes e cultura. No caso de Julio Verne, inclusive, a questão do fantástico – tão presente na cultura SteamPunk – fica bem evidenciada, sobretudo na forma de engenhocas impossíveis que se utilizam de tecnologia da época para fazer o improvável.

Há muito material disponível, descrevendo a realidade Vitoriana, e mesmo Conan Doyle, com Sherlock Holmes; Mary Shelley, com “Frankenstein”; e Bram Stocker, com “Drácula”… toda literatura de época pode ser invocada para inspirar Steamers a escrever, desenhar, se vestir ou simplesmente se divertir de alguma forma dentro do gênero.

O Estado RJ Online: Em relação à moda, qual seria o estilo “steampunk”?

Essencialmente a moda SteamPunk passa pela época vitoriana, jaquetões, chapéus, cartolas, coletes, gravadas com nós elaborados, trajes formais, corpetes, blusas de tecidos rústicos ou até bastante sofisticados e com um cuidado “barroco” em sua confecção. Se você viu algum filme ambientado no Século XIX você já está a meio caminho de entender qual a “moda SteamPunk”.

Mas não se deve parar aí. O SteamPunk é mais que um retorno à Era Vitoriana. Trata-se de um retorno à uma época que jamais aconteceu. Como se, no Século XIX, o Homem tivesse conseguido alçar vôos muito maiores somente com o uso do vapor e da eletricidade.

Por conta disso, muitos dos acessórios SteamPunk são profundamente excêntricos e se pode ver pessoas equipadas com desconcertantes armas de raios, bengalas a vapor, cartolas ornadas com bobinas elétricas e muitos outros objetos deslocados no tempo, quase todos em couro, latão e bronze.

O Estado RJ Online: E em relação á música e ao cinema?

Steamers costumam discutir bastante a questão, atribuindo ao gênero bandas e músicas que inspiram os entusiastas e, de alguma forma, remetem ao SteamPunk.

Abney Park e Vernian Process são as bandas mais diretamente ligadas ao tema mas existe especial afinidade com Tom Waits, Emilie Autumn, Depeche Mode, The Cure, Nine Inch Nails, David Bowie, The Dresden Dolls e Within Temptation, por exemplo.

O cinema ainda está descobrindo o SteamPunk como linguagem, o que limita um pouco o número de filmes que podem ser citados, mas algumas produções vêm carregando influência bastante óbvia em sua cenografia e até mesmo no enredo. Algumas produções ligadas ao SteamPunk de alguma forma são, “Do Inferno”, “20 mil Léguas Submarinas”, “Brazil, o filme”, “A Máquina do Tempo”, “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”, “Vidocq”, “A Irmandade do Lobo”, “Volta ao Mundo em 80 dias”, “Delicatessen”, “Jovem Sherlock Holmes”, “A Bússola Dourada”, “Hellboy”, “Liga Extraordinária”, “Wild Wild West”, “Van Helsing”, “SteamBoy”, “De Volta para o Futuro III”, “Frankenstein, de Mary Shelley”, “O Planeta do Tesouro” e “A Cidade das Crianças Perdidas”, são alguns exemplos comuns.

O Estado RJ Online: É interessante divulgar a cultura “steampunk” ou isso pode prejudicar o movimento fazendo com que seja apenas uma “modinha”?

Toda contra-cultura tem de passar por isso… Citando a artista plástica Jessica Joslin, entrevistada pelo Conselho SteamPunk: “Todo movimento de contra-cultura, quando atinge certo grau de popularidade, sofre com um efeito colateral inevitável. [...] agora que o movimento ganhou [fora do Brasil] notoriedade, para cada grupo de pessoas que amam o SteamPunk há aqueles que dele se afastaram pelo mesmo motivo.”

É comum que aqueles que aderem a um movimento por conta de este ser incomum, se afastem quando ele se torna corriqueiro… mas me parece que todo movimento de contra-cultura sobrevive ao interesse da maioria-entediada que se aproxima ocasionalmente.

O SteamPunk tem grande potencial em termos de linguagem, criação artística e produção de subjetividade. Contar uma história através de “lentes SteamPunk” agrega valor e, em si, significa muito. O gênero em si é uma declaração de intenções e visão de mundo.

O Estado RJ Online: Por onde um interessado deve começar para se tornar um Steamer?

Basta se cadastrar no Registro SteamPunk: www.steampunk.com.br/registro-steampunk/

Vale começar também a explorar o material disponível no site: www.steampunk.com.br

Um material diversificado e de ótima qualidade pode ser encontrado em: sp.steampunk.com.br

Há comunidades do Conselho SteamPunk no Orkut e também no Twitter.

Para os interessados em CosPlay vale visitar: www.steamgirls.com.br

Basta caçar na internet os links mais relevantes, começar a ler, ver filmes e se divertir bastante.

Se alguém se interessar em colaborar com o Conselho SteamPunk ou criar uma Loja em sua cidade, basta entrar em contato através do endereço: b.accioly@steampunk.com.br

A entrevista acima serviu de insumo para o artigo publicado em: O Estado RJ Online

Entrevista para Rudge Ramos Online/Metodista

Entrevista para Rudge Ramos Online/Metodista

Esta entrevista foi dada para a revista de Internet Rudge Ramos Online, da Metodista, e feita por Bruna Gonçalves.


Rudge Ramos Online: O que é steampunk? Como surgiu?

O SteamPunk é um sub-gênero da Ficção Científica e, em certos casos, de Fantasia. Trata-se, fundamentalmente, de um movimento literário que tem como principal característica a criação de universos ficcionais ou realidades alternativas cuja temática retrô remete a Era Vitoriana. O período do Século XIX no qual se baseia a estética SteamPunk é invariavelmente mesclada a uma tecnologia baseada nos preceitos da época mas invocando o fantástico, como se pode ver em trabalhos de Julio Verne e H.G.Well, com “20mil Léguas Submarinas” e “A Máquina do Tempo”, por exemplo.

Essencialmente surgiu como uma “linguagem” ficcional, um recurso dramatúrgico, em meados da década de 1980, nos EUA, e foi se popularizando lentamente, principalmente devido ao desdobramento desta literatura em uma proposta estética. Na literatura, o “movimento” surge com Tim Powers e James Blaylock, quando K.W.Jeter batiza o objeto ficcional destes autores como literatura SteamPunk. Etimologicamente, o termo surge como desdobramento do termo CyberPunk, com o qual foi batizado outro sub-gênero da Ficção Científica.

O curioso é que mesmo romances e outras obras ambientadas no século XIX vêm sendo denominadas obras SteamPunk, o que torna o movimento intrinsecamente anacrônico e paradoxal.

Rudge Ramos Online: Qual a filosofia desse movimento?

Enquanto movimento artístico-literário-cinematográfico, é difícil associar uma Filosofia ao movimento. Acontece que os entusiastas das obras SteamPunk são o pináculo de sustentação do que se poderia chamar – sendo indulgente com o temo – de “movimento cultural”.

O SteamPunk não está tão afinado com o conceito de movimento cultural quanto o Punk, estando mais próximo do que foi o CyberPunk, uma proposta de linguagem, uma proposta estética e, possivelmente, um instrumento formador de opinião.

Não me arriscando a acreditar que posso representar todos os entusiastas do gênero, creio que posso afirmar que há, tanto na proposta estética quanto nos conceitos que permeiam o SteamPunk, uma intenção de cuidado com a relação Homem/Máquina, Homem/Meio-Ambiente e com as relações humanas.

O termo movimento só não está mais banalizado, hoje, que o termo filosofia e não me arrisco a afirmar que exista uma filosofia de fato, entretanto, a preocupação do Conselho SteamPunk – fundado no Brasil em 2008 no Rio de Janeiro e em São Paulo – passa pelos interesses, anseios e aspirações dos interessados e participantes do movimento.

Vale visitar: http://www.steampunk.com.br/2009/04/04/utopia-distopia-e-realidade/

Rudge Ramos Online: Qual estilo de vida que levam?

De um modo geral os Steamers são um grupo bastante heterogêneo, até porque não existe apenas um romance, um filme ou uma franquia que seja proprietária do gênero.

Há aqueles que sejam cosplayers interessados em promover o gênero através das vestes e comportamentos; há aqueles que são quase eruditos e interessados em catalogar e discutir o que é ou não SteamPunk dentre o que já foi produzido até hoje; e há aqueles que fruem toda obra SteamPunk com gosto e gosta de sair pra comentar sobre elas (e sobre outras coisas) em rodas de amigos. Enfim… são pessoas como você e eu que desfrutam de um interesse comum.

Rudge Ramos Online: Como é esse movimento no Brasil?

Há mais de um grupo desenvolvendo atividades, divulgando e produzido cultura SteamPunk no país.

Posso falar do Conselho SteamPunk, fundado por mim mesmo e por Raul Cândido Ruiz e que nada mais é que um grupo interessado em divulgar, inspirar e produzir material para um grupo crescente de pessoas interessadas.

O papel do Conselho é, através de suas “Lojas” – como denominamos cada grupo regional – levar o SteamPunk para um número cada vez maior de pessoas que ainda não conhecem o movimento e promover eventos e atividades relacionadas a estes interesses.

Adicionalmente, o papel do Conselho SteamPunk é fornecer infra-estrutura para cada uma das suas Lojas, garantindo hospedagem sem custo para criação de websites e servir de base de conhecimento digital para todos os interessados.

Outra componente interessante é o intercâmbio internacional, que se reflete na produção conjunta e transferência de conteúdo com outros países, como é o caso de algumas ótimas entrevistas que a Loja São Paulo e a Loja Rio de Janeiro vem promovendo, bem como a parceria com o site alemão www.clockworker.de.

Rudge Ramos Online: Para você, o que precisa ser feito para que seja mais conhecida no país?

Além de todo o trabalho que grupos relacionados ao gênero SteamPunk vêm desenvolvendo, é preciso que a produção cinematográfica, material em quadrinhos e literatura seja produzida, não só no Brasil, mas em todo o Mundo.

O importante, contudo é produzir e se divertir com o resultado, muito mais que esperar que haja notoriedade.

O interesse do Conselho SteamPunk é, através da produção cultural, sensibilizar os entusiastas do gênero acerca de sua história, questões ambientais, morais e éticos, tudo sem o peso do aborrecimento e usando o entretenimento como veículo.

Rudge Ramos Online: Como você ficou conhecendo o movimento?

Muitos interessados acabam dizendo que antes de conhecer o termo já identificavam seu interesse pela estética retrofuturista de Verne, Wells, Jean Pierre Jeunet, Terry Gillian e tantos outros, e não foi diferente comigo. Tudo o que foi feito usando esta estética estava, em mim, guardado com muito carinho.

Quando o termo veio a meu conhecimento em 2007 foi, imediatamente, uma revelação, e foi daí que nasceu o site www.steampunk.com.br, que hoje é lar do Conselho SteamPunk.

Rudge Ramos Online: Existe um perfil de quem adere?

Não. Posso afirmar categoricamente um perfil não existe. Mas percebemos que há uma característica comum em todos os que aderem ao Conselho SteamPunk ou se acerca do que fazemos… um termo que a autora brasileira de ficção Cristina Lasaitis (http://www.outracoisa.com.br/2008/11/16/cristina-lasaitis/) científica trouxe de novo a baila… uma coisa chamada Sense of Wonder, uma sensibilidade particular para com o fascínio e o fascinante.

Todos aqueles que sabem ouvir e apreciam o imaginário, o fabuloso e o fantástico vão se interessar pelo SteamPunk.

Rudge Ramos Online: Existe preconceito das pessoas?

Creio que não. Existe, logicamente, uma tendência a fazer pouco de qualquer interesse incomum e aquele comportamento jocoso comum a quem não partilha do culto a um conjunto de obras e tal. É como acontece com Trekkers (Star Trek), Jediers (Star Wars), Brown Coats (Firefly) e tantas outros grupos com interesses divergentes da maioria.

Hoje em dia, contudo – e como costumo brincar, depois de “Matrix” – o termo Nerd perdeu força e a cultura nerd se confunde com a cultura pop de muitas maneiras. Isso se deve, a meu ver, a obras herméticas dos quadrinhos e da literatura terem sido descobertas pelos grandes estúdios e graças também ao movimento da Marvel e da DC em direção aos empreendimentos cinematográficos, os grandes responsáveis pela popularização do que era, outrora, hermético.

Rudge Ramos Online: O que caracteriza um adepto a essa tribo? E visualmente?

Nem todos saímos por aí vestidos em roupas vitorianas, com relógios de bolso, cartolas, bengalas e outros andrajos, além dos elementos retrofuturistas não Vitorianos.

Não existe obrigatoriedade de vestimentas em qualquer encontro, mas um grande contingente de pessoas se interessa pela prática do cosplay no Conselho SteamPunk e muitos de nós acabam aparecendo, em encontros, paramentados de acordo.

Revestir-se do interesse e do empenho na produção de cultura SteamPunk é, de um modo geral, mais importante para Steamer do que vestir-se de acordo com um dado código.

Mas que é divertido viver a fantasia de viver outra realidade, não há como negar!

Vale visitar também: www.steamgirls.com.br

A entrevista acima serviu de insumo para o artigo publicado em: Metodista.br/rronline

A Arte SteamPunk de Jessica Joslin

jessica joslin

Jessica Joslin, em suas próprias palavras, é uma artista que constrói peças que podem ser descritas como Animais Mecânicos Vitorianos SteamPunk.

Em seu discurso coeso acerca da natureza de sua obra, Jessica Joslin nos deixa passear pelo seu conceito de arte e pelo valor que dá a criatividade e a expressão.

As peças que confecciona vem sendo exibidas em galerias e despertando o interesse de público e crítica o que, para o SteamPunk, é particularmente importante.

Artistas como Jessica Joslin são a linha de frente da popularização da estética SteamPunk, que é a porta de entrada de muitas pessoas para o gênero que, cada vez mais, se define como muito mais que só um “jeito da coisa se parecer”.

Conselho SteamPunk: É nossa opinião que grande parte do seu trabalho se fundamenta na forma subversiva que você captura a vida. Você concorda ou acha que estamos totalmente enganados?

Suponho que meu trabalho possa ser considerado subversivo em certo sentido sim, mas não tento chocar ninguém. Creio que há uma marginalidade inerente no fato de que estou representando a criatura viva com material inanimado, inclusive restos de esqueletos. Usar ossos para representar vida pode sim ser considerado subversivo, mas não é esta minha intenção.

Conselho SteamPunk: É comum que algumas pessoas se sintam ofendidas por esta forma de expressão? Seu apreço pelos animais já foi questionado pelo público?

Ocasionalmente, mas não é tão comum. Talvez surpreendentemente, tenho percebido respostas genuinamente interessadas das pessoas com quem tenho contato sobre meu trabalho, incluindo aquelas envolvidas em direitos dos animais. Tenho grande afinidade com os animais e creio que isso se percebe em meu trabalho. Uma coisa é certa; Tudo que é vivo morre. Eu apenas coleto o que fica para trás…

Para obter os ossos que utilizo, trabalho com fornecedores osteológicos. Tratam-se de profissionais especialistas que fornecem para museus, escolas e instituições de pesquisa. Sou muito consciente das implicações éticas e ambientas do trabalho com ossos de animais e sou cautelosa em trabalhar com empresas cujas práticas estejam acima de qualquer reprovação.

Conselho SteamPunk: Seu trabalho com protótipos de brinquedos e modelos influenciaram sua arte?

Sim, foi através deste trabalho que adquiri muitas das habilidades necessárias para confeccionar minhas peças. Precisão é algo importante para mim, bem como a beleza das peças. Foram necessários 20 anos de treino nas mais diversas disciplinas. Todas elas se manifestam em meu trabalho, concorrendo para melhorá-lo e enriquecê-lo. Creio que é como tudo mais… quanto melhor você se torna em algo, mais fácil lhe parece. De um ponto de vista estrutural, muitos sequer se dão conta da complexidade e precisão do meu trabalho. Por exemplo um único pé de Ludwig – “The Monkey on the Ball” – é composto de 30 partes individuais, todas unidas e bem montadas. Há muita engenharia (e requinte) em cada peça que parece ter sido feita sem grande dificuldade, como se elas fossem destinadas a ter aquela forma.

Conselho SteamPunk: Você vem colecionando há muitos anos partes de animais e antigos componentes mecânicos. Esta prática tem alguma relação com um desejo implícito de consertar a vida quando esta se encontra “quebrada”?

Esta pergunta é interessante. A resposta tem relação, parcialmente, com onde eu estudei e com o lugar onde cresci. Minha infância e adolescência se deu em Boston, e desde muito cedo senti-me arrebatada pela maravilha que eram os museus da Universidade de Harvard, particularmente o Museu de Zoologia Comparada. Haviam galerias e mais galerias cheias de taxidermia da Era Vitoriana, que eram particularmente fascinantes. Anos depois fui estudar em Chicago e, a caminho dos estudos, passava por um edifício de vidro espelhado que tinha uma grande fonte diante da fachada. Os pássaros que por ali voavam continuamente batiam de encontro ao vido e caiam nas águas da fonte, com os pescoços quebrados.

Todos os dias eu via estes pássaros preciosos flutuando naquelas águas até que os zeladores apareciam, recolhiam-nos sem cerimonia em suas redes e os jogavam no lixo, o que me deixava triste. Não parecia correto que aquelas criaturas adoráveis morressem sem qualquer propósito e então fossem atiradas ao lixo. Decidi, em certo ponto, que revisitaria minha fascinação pela taxidermia. Comecei a estudar como preservar as aves, lendo livros sobre o assunto e, ao invés de somente passar pela fonte, eu retirava minhas botas e coletava as aves mortas (muitas vezes para horror daqueles que assistiam!) para então usá-las para praticar taxidermia.

Desta forma acumulei uma coleção respeitável de aves empalhadas, que acabei por incorporar mais tarde em meu trabalho. Suponho que até os dias de hoje o meu uso de ossos vem do desejo de celebrar a beleza dos animais, vivos ou não. Este sentimento vem parcialmente de colecionar coisas que, de outra forma, seriam esquecidas ou subestimadas.

Conselho SteamPunk: Você conhece o gênero SteamPunk? Considera seu trabalho uma referência do gênero?

Sim. Há alguns trabalhos muito interessantes sendo feitos dentro do gênero. Latão é um material que me agrada muito e sou apaixonada pela Era Vitoriana, portanto posso dizer que definitivamente meu trabalho bebe nesta mesma fonte.

jessica joslin

Conselho SteamPunk: A recente popularidade do gênero SteamPunk afetou o interesse pelo seu trabalho?

O SteamPunk ofereceu mais um meio de divulgar e apresentar o meu trabalho para pessoas cuja sensibilidade estética é similar a minha. Sob este aspecto certamente ajudou. Entretanto, como todo movimento de contra-cultura que atinge certo grau de popularidade, há um efeito colateral inevitável. Parece que, agora que o movimento ganhou notoriedade, para cada grupo de pessoas que amam o SteamPunk há aqueles que dele se afastaram pelo mesmo motivo.

De muitas formas a característica “faça-você-mesmo” do SteamPunk foi o maior benefício e o maior problema do movimento, particularmente no que se refere aos artistas. É maravilhoso que algo tenha surgido para inspirar artistas iniciantes a colocar para fora suas habilidades e seu talento. Jamais teremos artistas suficientes no mundo! No entanto, por conta da mesma mentalidade “faça-você-mesmo”, o movimento vem sendo assombrado por questões relacionadas a apropriação e plágio.

Por conta da familiaridade com tutoriais online (como instruções passo-a-passo para modificar um teclado de computador para que se pareça com uma máquina de escrever antiga), alguns acabaram por acreditar que a apropriação de qualquer idéia é eticamente aceitável.

Recebo cartas de pessoas que dizem desejar confeccionar sua própria versão do meu trabalho, perguntando onde podem conseguir os elementos para tanto e como deveriam proceder. Estas pessoas não parecem entender o quanto isto é inadequado. É uma visão totalmente equivocada do meu trabalho. Sim, qualquer um pode conseguir um crânio e atar a isso um pedaço de latão, mas isto não capturaria o espírito da minha obra ou aquilo que luto para alcançar… qualquer tentativa diletante vai se parecer com o que é… uma cópia barata. Muito compreendem isso, mas não todo mundo.

Uma das coisas que mais amo no SteamPunk é justamente a atenção aos detalhes. Para cada pessoa que, equivocada, pensa que um par de “googles” junto a acessórios de latão são sinônimo de SteamPunk, há muitos outros que se esforçam para alcançar outro patamar de refinamento e minúcia. Em minha opinião trata-se de um senso de entendimento da conjuntura sociológica, tecnológica e cultural da Era das Máquinas que garante a riqueza e profundidade ao movimento.

Tratava-se de um momento histórico no qual os objetos não eram descartáveis. As pessoas gastavam muitos anos aprendendo um ofício específico e refinando sua habilidade. Quando se construía algo (fosse uma obra de arte, vestuário, móveis ou máquinas) havia o cuidado em se tentar fazê-lo da melhor forma possível. Não havia atalhos. Havia um magnífico senso de respeito por tudo aquilo que era conseguido através de sacrifício. Em nosso tempo, muitos artistas iniciantes sentem a necessidade de buscar o sucesso antes de terem tido tempo de alcançar uma visão própria e única da arte. Eles buscam a aprovação antes mesmo de desejá-la. Eu acredito firmemente que isto nos empobrece a todos. É necessário muito tempo para se criar algo especial e original… não são estas algumas das virtudes que melhor definem a arte?

Conselho SteamPunk: Você aprovaria e participaria de uma Liga de Artífices SteamPunk? Acha importante partilhar experiências com artistas de diferentes países e segmentos?

A sensibilidade para apreciar e entender o ofício do artesão é algo pelo que tenho muito apreço. Despendi muito tempo trabalhando com diferentes técnicas para refinar minhas habilidades. De fato creio que a maior parte (senão todos) os artistas se beneficiariam da exposição a outras técnicas, fazendo o bom e velho trabalho manual. É um belo teste para o engajamento e dedicação do artista!

Certamente endosso uma Liga de Artífices, caso os padrões elevados da Era Vitoriana fossem a meta de seus participantes. É preciso ter cuidado, contudo, pois eu mesma sou bastante intransigente com detalhes. Tinta spray dourada não passa por latão, em hipótese alguma. Quem discorda deveria ser açoitado com uma luva de couro! ; )

Isto posto, muitos artistas se benefeciariam grandemente do intercâmbio com outros profissionais, inclusive eu. Eu sempre aprecio o contato com outros artistas e artesãos cujos interesses são similares aos meus.

Conselho SteamPunk: Como o grande público pode adquirir seu trabalho e seu livro?

Recentemente houve uma exposição minha no Billy Shire Gallery. Os trabalhos disponíveis em:
http://billyshirefinearts.com/08joslin/index.html

Sou agenciada pela Lisa Sette Gallery e alguns outros trabalhos estão disponíveis em seu website:
http://billyshirefinearts.com/08joslin/index.html

Meu livro, “Strange Nature”, pode ser aquirido em:
http://shop.psstudios.com/index.php/products/joslinbook

E mais informações sobre o livro podem ser encontradas aqui:
http://www.lisasettegallery.com/books.htm

Perguntas sobre Arte (continuar lendo…)

jessica joslin

Jessica Joslin Interview in English

A Loja São Paulo entrevista Jake Von Slatt

A Loja São Paulo do Conselho SteamPunk acertou em cheio ao contatar e conseguir uma entrevista com Jake Von Slatt, um dos mais atuantes entusiastas do gênero SteamPunk e engajado artífice de peças que seguem essa proposta estética.

Sendo um dos mais procurados artistas envolvidos com o gênero, Jake Von Slatt tem seus primorosos trabalhos constantemente publicados em revistas e websites, mas raramente encontramos material relevante sobre como se sente acerca do que produz e qual seu real envolvimento com a cultura SteamPunk – ainda mais em português!

Na entrevista para a Loja São Paulo, Jake Von Slatt dá as boas vindas a todos entusiastas do gênero que se reúnem em torno da proposta, seja através de Sociedades ou Conselhos, sobretudo àqueles que produzem cultura SteamPunk.

Vale a pena ler a entrevista, na qual Von Slatt se diz fortemente influenciado pela cultura Open Source, enraizada profundamente na Ética Hacker, de Pekka Himanen – sobre a qual se fundamenta o Conselho SteamPunk – o que deve ser motivo de orgulho para todos nós.

Leia a entrevista com Jake Von Slatt

Você quer saber mais?

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