Praça Carlo del Prete

Em 1928 um certo aeroplano Savola Marchetti SM64 - o Santa Maria - decolava levando a bordo os italianos Arturo Ferrarin e o Capitão Carlo del Prete, dois aviadores pioneiros que percorreram o trajeto sem escalas entre Montecélio (próximo a Roma) e Touros, no Rio Grande do Norte.
Era a época das raids como eram chamadas as perigosas viagens em que audazes pilotos percorriam grandes distâncias sem pousar em lugar algum. Inédito na época, o vôo cobriu 7.188 quilômetros em 49 horas e 19 minutos, tornando-os famosos tanto na Itália quanto no Brasil, rendendo uma posterior visita ao Rio de Janeiro no mesmo Santa Maria que os havia trazido em segurança até o país.

No mesmo ano, poucos meses depois, morreria contudo Carlo del Prete, testando um S62 que caiu na Baía de Guanabara.
A escultura do avião em que ambos fizeram travessia do Atlântico “sobrevoa” a Praça Carlo del Prete, em Laranjeiras, nos dias de hoje, enquanto seu piloto, no solo, fita uma placa que conta sua façanha. A réplica do avião e a estátua do aviador marcam o lugar em que Del Prete recebeu suas homenagens póstumas, onde então se localizava a embaixada italiana.
Apesar dos trajes do piloto esculpido terem uma ligeira afinidade com o gênero SteamPunk não são os andrajos que nos chamaram a atenção. Todos os elementos da obra foram esculpidos por Roberto Sa, inclusive o sustentáculo inusitado que se esconde por detrás da placa parabólica, um monumento em si mesmo e em sua ausência de funcionalidade nas partes móveis absolutamente inemovíveis que o compõe.

Os motivos de Roberto Sa para incluir a peça em sua composição parecem ter tido pouco ou nada a ver com o tema da obra e, sem saber, acabou ele incluindo uma peça com um estilo que, hoje, se confunde com a estética “Metropolis” e com a proposta estética SteamPunk.
Todo o bairro das Laranjeiras é cheio de construções Vitorianas, uma mais bela que a outra, quase todas muito mal tratadas e postas a venda. As que tiveram a sorte de se tornar sede de alguma empresa ou empreendimento governamental acabam sendo preservadas e embelezando o bairro. Seria um belo registro de referência de um estilo arquitetônico tão afim da cultura SteamPunk… mas encontrar elementos SteamPunk inadvertidamente produzidos pode ser uma tarefa bem interessante também.
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A iniciativa é, nas palavras de seus realizadores, “talvez a mais espetacular revista que fala contra o espetáculo”… e é totalmente gratuita, “minando o fascismo do Copyright com o que há de mais novo em tecnologia Creative Commons”.
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History Channel, Tesla, Franklin e Hughes

Hoje, no History Channel, o programa Maravilhas Modernas vai ter como tema Nikola Tesla, se concentrando em sua incomum e tão moderna visão de futuro; mais tarde, o canal exibe também um documentário sobre Benjamin Franklin.
Nikola Tesla

Poucos interessados em SteamPunk desconhecem o trabalho de Tesla e sua luta para levar adiante sua visão do mundo e suas 700 patentes (Leia mais a respeito aqui)! Para os que desejam saber ainda mais, vale a pena, dia 21 de Novembro de 2008, ligar a TV às 20 horas.
A abordagem do programa é particularmente interessante se levarmos em consideração que muitos consideram que ele fora mal sucedido, tendo perdido várias de suas “batalhas” para Thomas Edison.
Hoje - talvez sempre - a noção de sucesso que se tem é absolutamente superficial, concentrando-se principalmente no êxito em convencer um dado número de pessoas que se está certo e conseguir sucesso comercial.
Ao longo da história pode-se identificar inúmeros casos onde alguém está certo de uma forma que ninguém compreende. Por vezes o visionário permanece preso ao chão pela incapacidade de fazer os demais vislumbrarem sua visão de futuro.
O mundo poderia, hoje, ser muito diferente técnica e filosoficamente se Tesla tivesse conseguido mostrar aos mais pragmáticos os motivos que fariam com que o mundo do futuro fosse um mundo melhor.
Há quem argumente que, aos pragmáticos, “um mundo melhor” é o que menos interessa. A eles o que atende é dinheiro em seu pragmático bolso. Seja isso verdade ou não, estando a ideologia morta e enterrada ou não, Tesla é, para a cultura SteamPunk, um símbolo de um mundo que poderia ter sido.
Da corrente alternada, seguindo pela Bobina Tesla, passando por raios mortais, a primeira hidrelétrica, o conceito de radar, a comunicação sem fios, a luz fluorescente, a máquina de terremotos, dínamos oceânicos, células fotovoltáicas, turbinas, veículos de decolagem vertical, o conceito de satélites artificiais e um sem número de outras invenções e idéias, Nikola Tesla merece ser considerado o mais SteamPunk dos inventores.
Benjamin Franklin

Não parando por aí, no mesmo dia, às 21 horas, Maravilhas Modernas exibe documentário sobre Benjamin Franklin, dos maiores inventores e cientistas do século XVIII, deixando um vasto legado tecnológico, notável até os dias de hoje.
Rico em talentos, o americano era um ícone do Iluminismo, tendo sido eleito para a Royal Society, sendo fundador da American Philosofical Society e tendo inspirado e influenciado tantos cientistas e inventores de seu tempo.
Político, cientista, inventor e responsável por algumas das mais importantes descobertas de seu século, Benjamin Franklin descortinou a realidade sobre as polaridades elétricas, a natureza dos relâmpagos, avanços no campo da eletricidade estática, as lentes bifocais, o forno de Franklin, o xilofone-de-vidro, o catéter flexível, o princípio da refrigeração e o pára-raios, além de ter concebido o Paying Forward, inovação social de engajamento individual dos cidadãos em prol de um bem maior.
Em junho de 1776, Benjamin Franklin foi convocado como membro do Comitê dos Cinco, que foi responsável pelo documento preliminar que daria origem a Declaração da Independências dos Estados Unidos da América do Norte.
Todos estes grandes feitos já foram, mais de uma vez, atribuídos ao seu Plano das 13 Virtudes, elaborada aos seus 20 anos de idade e seguidos a risca até o fim de sua vida:
- Temperança: não comer até ao embrutecimento, nem beber até a embriagues.
- Silêncio: Não falar senão do que pode ser benéfico para os outros ou para nós mesmos; evitar as conversações frívolas
- Ordem: um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar; destinar uma hora para cada uma de nossas tarefas.
- Resolução: resolver cumprir o que é dever, e cumprir, sem falhar, o que se resolve.
- Frugalidade: não fazer despesas, senão em benefício próprio ou em benefício de outrem, isto é, não desperdiçar.
- Aplicação: não perder tempo; ter sempre entre as mãos qualquer trabalho útil; suprimir todas as ações desnecessárias.
- Sinceridade: não recorrer a ludíbrios prejudiciais; pensar sem idéia preconcebida e com justiça; e ao falar, fazê-lo de conformidade com este princípio.
- Justiça: não prejudicar ninguém fazendo o mal, ou omitindo benefícios que constituem nosso dever.
- Moderação: Evitar os extremos; abster-se de guardar ressentimento pelas injúrias, na medida em que as consideramos merecidas.
- Limpeza: não tolerar a falta de limpeza no corpo, no vestuário e na habitação.
- Tranqüilidade: não se perturbar com insignificâncias, nem com acidentes correntes e inevitáveis.
- Castidade: usar raramente do prazer da carne e apenas para benefício do organismo e tendo em vista a descendência; jamais até o embrutecimento, ou ao debilitamento, ou em prejuízo da própria paz e reputação, ou da paz e reputação de outrem.
- Humildade: imitar Sócrates e Jesus.
Como não é difícil perceber, Benjamin Franklin facilmente consegue espaço no imaginário SteamPunk, mas não são só Nikola Tesla e Benjamin Franklin merecem uma leitura mais profunda.
Além da Era Vitoriana

O ideal dos inventores persiste para aquém e para além da Era Vitoriana e, para quem deseja inspiração para produzir cultura SteamPunk seja em engenhos, RPGs, ilustrações ou qualquer outra forma de expressão, vale a pena assistir as biografias de cientistas, filósofos e inventores de todas as épocas no History Channel.
Um bom exemplo é a biografia de Howard Hughes, grande inventor, engenheiro, cineasta e filantropo do século XX e um dos responsáveis pela moderna aviação.
Se você viu “O Aviador”, com Leonardo DiCaprio, vale a pena revisitar a história deste gênio do nosso tempo e, mesmo se não assistiu ao blockbuster vale descobrir quem foi esse excêntrico e fascinante personagem histórico.
O documentário sobre Howard Hughes passa em seguida ao de Benjamin Franklin, dia 21 de Novembro de 2008, às 22 horas.
Concurso “SteamPunk Myths & Legends”

Conceituada organização internacional, a CGSociety é dedicada a artistas de criação digital e dá apoio a todos garantindo seu engajamento, fornecendo informações, disponibilizando cursos e promovendo a produção de obras de Computação Gráfica.
No dia 10 de Novembro a CGSociety noticiou o início do seu 23′ CGChallenge, um concurso que vai receber trabalhos com tema SteamPunk até o dia 3 de Fevereiro de 2009, explorando este universo vasto de elementos esteticamente fortes que é o mundo de vapor e engrenagens.
O desafio, intitulado “SteamPunk - Myths & Legends”, conta com uma lista invejável de patrocinadores, envolvendo ninguém menos que as empresas Autodesk, Corel, NVIDIA, Wacom, SOFTIMAGE, Luxology, Pixologic, Craft Animations, SideFX, e-on Software, Stash, Gnomon Workshop, ImagineFX, Ballistic Publishing, Esperient, BOXX Technologies, que merecem os parabéns pela iniciativa conjunta com a CGSociety.
Importante para o gênero SteamPunk, o desafio legitima ainda mais uma forma de expressão que, ao contrário das que se referem a Star Trek e Star Wars, não tem relação com um conjunto de obras de um único autor, tendo o conceito de SteamPunk nascido da percepção de um tendência estética e iniciativa inspirada de um conjunto de escritores.

Os CGChallenges, levados a cabo pela CGSociety, são os maiores concursos do gênero, movimentando um enorme número de artistas, apoio e patrocínio com o objetivo de, dadas as limitações impostas pelo desafio, incentivar a produção de obras de arte e a divulgação de novos artistas para a comunidade de Computação Gráfica.
O desafio em questão disponibiliza mais de 200mil dólares em prêmios para os artistas que traduzirem seus mitos e lendas favoritos através da estética SteamPunk em imagem ou vídeo.
Além de divulgar o gênero SteamPunk - muito pouco conhecido fora dos EUA - o desafio, através de definições simples e imagens fortes, requisita dos artistas envolvidos, a produção de material que envolva engrenagens, vapor, molas, bronze e eletricidade, para executar releituras de personagens e eventos folclóricos tradicionais.
São três categorias de propostas: imagem individual; produção de vídeo individual; e produção de vídeo em equipe; todas elas elegíveis para os prêmios de Modelagem, Texturização, Animação, Iluminação, Efeitos Visuais, Cenário, Direção de Arte, Composição/Edição e melhor Personagem.
Se você trabalha com artes gráficas no meio digital e se interessa por SteamPunk, vale participar!
Você quer saber mais?
Um dos vencedores do 20′ CGChallenge
Nikola Tesla ~ Biografia

Tantos epítetos acompanham a figura do croata naturalizado americano Nikola Tesla que o do título acima torna-se apenas mais um: “O Gênio que Iluminou o Mundo”, “O Santo Patrono da Eletricidade Moderna”, “O Pai da Física”, “O Homem que Inventou o Século XX”, “O Gênio Pródigo”, “O Mestre da Ionosfera”, “O Criador da Segunda Revolução Industrial”, entre outros. A eletricidade como nós conhecemos e utilizamos é atualmente gerada e trasmitida graças às invenções de Tesla, cuja maior conquista – o motor de indução por corrente alternada – é a responsável pela iluminação de todo o planeta.
E, curiosamente, não é dos nomes de inventores mais conhecidos entre o público leigo – nomes como Thomas Edison chegaram muito mais facilmente aos ouvidos da massa. No entanto, em recente votação promovida pela Discovery Channel, ficou entre os 100 maiores americanos de todos os tempos. A Life Magazine, em 1997, nomeou Tesla como um dos 100 homens mais famosos do último milênio. Durante o seu auge, ocorrido no fim do século XIX, Tesla era o inventor e físico mais conhecido da América do Norte, quiçá do mundo.
Recentemente, a figura de Tesla vem sendo ressuscitado no cinema e literatura, trazendo um renovado reconhecimento daquele que foi um dos homens mais geniais da história: filmes como “O Grande Truque”, onde o cientista é interpretado por David Bowie (e é responsável pelo toque Steampunk do longa), e livros como “Tudo Se Conta”, de Toni Jordan, onde a personagem principal tem Tesla como ídolo, contribuem fortemente para essa merecida fama.
A Juventude

Nikola Tesla nasceu no dia 10 de julho de 1856 em Smiljan, parte à época do Império Austro-Húngaro, na região onde hoje fica a Croácia. Filho de um padre sérvio ortodoxo, Milutin Tesla, e uma inventora (cujo trabalho era aplicado a serviços domésticos), Djuka Mandic, estudou na Realschule em Karlovac, no Instituto Politécnico de Graz (hoje na Áustria) e na Universidade de Praga (República Tcheca). Inicialmente sua intenção era se especializar em física e matemática, mas logo ficou fascinado com eletricidade.
Começou sua carreira como um engenheiro elétrico em uma companhia telefônica em Budapeste, em 1881, e foi lá que, ao caminhar pelo parque municipal com um amigo, a solução para o problema do campo magnético girante (um princípio físico fundamental e que futuramente seria a base para praticamente todos os aparelhos que se utilizam de corrente alternada) veio como um lampejo a sua mente. Desenhando diagramas na areia, Tesla explicou a seu amigo o seu brilhente princípio, e como ele poderia ser aplicado na construção de um motor de indução. Depois de Budapeste, Tesla se juntou ao Continental Edison Company em Paris, onde basicamente projetava dínamos. Em 1883, ele construiu, de forma bem sucedida, um protótipo do seu motor de indução. No entanto, não conseguiu atiçar o interesse de ninguém na Europa; por isso, aceitou a oferta de trabalhar para Thomas Edison em Nova York – seu sonho de infância era ir aos Estados Unidos para utilizar o poder das Niagara Falls.
Charles Batchelor, ele próprio um brilhante inventor, enviou uma carta de apresentação em 1884 a seu colega Thomas Edison, na qual dizia: “Eu conheço dois grandes homens: um é o senhor, e o outro é este jovem”. O jovem era Nikola Tesla, tímido mas confiante, que chegava a Nova York, onde moraria pelos próximos 59 anos.
AC/DC: A Guerra das Correntes

Após melhorar a linha de dínamos de Edison, em seu laboratório, começou a grande divergência entre Tesla e Edison quando ao uso de corrente alternada ou direta. Este desentendimento resultou na chamada “Guerra das Correntes”, onde Edison lutou uma batalha perdida para desesperadamente proteger seu investimento em equipamento e instalações que se utilizavam de corrente direta.
A idéia para os motores e sistemas elétricos de Tesla foi apresentada por ele em 1888 em um artigo científico clássico, intitulado “A New System of Alternating Current Motors and Transformers”, ao Instituto Americano de Engenheiros Elétricos. O industrialista e inventor George Westinghouse foi um dos mais impressionados – mais ainda após uma visita ao laboratório de Tesla, onde viu um modelo de sistema multifásico consistindo de um dínamo de corrente alternada, transformadores e um motor AC. Começava aí a parceria perfeita entre os dois, que resultou na utilização em escala nacional da eletricidade.
Tesla demonstrou a falta de eficiência das casas de força de corrente direta que Edison construiu ao longo do litoral leste dos E.U.A. O segredo, dizia ele, era usar corrente alternada, pois para ele todas as energias eram cíclicas. De fato, as lâmpadas de Edison eram fracas e ineficientes quando alimentadas por corrente direta, além de seu sistema ter a desvantagem absurda da corrente não poder ser transportada para além de duas milhas devido a sua impossibilidade de se empregar a alta voltagem necessária para transmissões a longas distâncias. Isso fazia com que, consequentemente, uma estação de força era necessária a cada duas milhas. Isto porque a corrente direta flui continuamente em uma direção, enquanto corrente alternada muda de direção entre 50 e 60 vezes por segundo, e pode ser levada a valores muito altos de voltagem, minimizando a perda a longas distâncias – o futuro pertencia à corrente alternada.
A guerra aconteceu porque Edison não quis perder seu império de corrente direta (DC), enquanto Tesla, após desenvolver sozinho um sistema multifásico de geradores de corrente alternada (AC) e registrar 40 patentes sobre ele (compradas por George Westinghouse, determinado a suprir os Estados Unidos com o sistema inovador de Tesla), demonstrou ser o DC um sistema ultrapassado, enquanto o seu era tecnologicamente melhor. E isso resultou, mesmo com todo o poder e a influência política, em uma vitória para Tesla e Westinghouse – e para o progresso mundial.
As Conquistas de Tesla

Tesla admirou o mundo ao demonstrar, na World Columbian Exposition de Chicago (em 1893), as maravilhas da corrente elétrica alternada, que viria a se tornar o padrão no século XX.
O motor de indução AC é hoje utilizado largamente no mundo inteiro, com aplicações tanto industriais quanto residenciais. A sua distribuição iniciou a revolução industrial na virada dos séculos XIX e XX, e mudou o mundo, sendo considerada uma das dez maiores invenções de todos os tempos.
Em 1895, Tesla projetou a primeira hidrelétrica do mundo para geração de corrente alternada (e a terceira geral) em Niagara Falls, a qual foi a sua vitória final – e durante muitos anos a maior do mundo. O feito foi divulgado mundialmente na imprensa, e Tesla foi elevado à condição de herói – a ponto do Rei Nikola de Montenegro conferir a Tesla a Ordem do Danilo.
Mas Tesla era um pioneiro em muitos campos, não apenas na eletricidade, tendo mais de 700 patentes registradas em seu nome. A bobina Tesla, inventada por ele em 1891 (ano que ganharia a cidadania americana), é largamente utilizada hoje em dia em rádios, televisores e outros equipamentos eletrônicos, sendo considerado o pai do rádio e dos sistemas de transmissão modernos. Entre suas descobertas estão a luz fluorescente, o raio laser, comunicações sem fio, transmissão de energia elétrica sem fio, controle remoto, robótica, turbinas e veículos aéreos com decolagem vertical. Sua visão incluía ainda a exploração da energia solar e do poder dos oceanos. Ele previu comunicações interplanetárias e satélites artificiais.
Seus princípios de telegrafia sem fio foram publicados no Century Magazine em 1893. Em 1896, na Electrical Review, foram publicadas imagens de raio-X de um homem, feitas por Tesla com um aparelho de design próprio. Elas apareceram na mesma época que Roentgen anunciou sua descoberta de raios-X. Tesla e Roentgen nunca brigaram por prioridade – Roentgen parabenizou Tesla pela sofisticação de suas imagens, enquanto Tesla chegou a escrever o nome de Roentgen em um de seus filmes de raio-X. Durante esses experimentos, Tesla inventou o tubo de vácuo especial emissor de luz, que é usado em fotografia.
O sistema básico do rádio foi patenteado em 1896 por Tesla (baseado em trabalhos próprios, bem como de Maxwell, Hertz e Logde), com diagramas esquemáticos descrevendo todos os elementos básicos do transmissor por rádio que seriam posteriormente usados por Marconi, que se apropriou dos projetos de Tesla para estabelecer a primeira comunicação sem fio através do Atlântico em 1901, ganhando o Nobel por isso em 1909. No entanto, a primeira transmissão sem fio foi conseguida por Tesla cinco anos antes entre dois pontos distantes dentro da cidade de Nova York, tanto que a Suprea Corte dos Estados Unidos, em 1943, considerou a patente de Marconi inválida. Seus princípios foram utilizados pela Lowenstein Radio Company (sob licença da patente de Tesla) para instalar rádios de comunicação em embarcações navais militares americanas desde antes da primeira guerra mundial.
Em 1899, Tesla construiu uma estação experimental em Colorado Springs, para estudar alta tensão, eletricidade de alta freqüência e outros fenômenos. Quando o transmissor amplificador da bobina Tesla da antena externa era energizado, criava fagulha de até 10 metros de comprimento, que podiam ser vistas a uma distância de até dez milhas.
Tesla ficou lá por pouco menos de dois anos, mas lá fez a descoberta que considerou a mais importante da carreira – as ondas estacionárias terrestres. Com essa descoberta, ele provou que a Terra podia ser usada como um condutor elétrico, podendo ser utilizada como um diapasão para as vibrações elétricas de uma certa freqüência. Ele também acendeu 200 lâmpadas sem fios a uma distância de 40 km e criou o raio artificial. Ele chegou a acreditar que recebeu sinais de outros planetas em seu laboratório, mas isso foi largamente desacreditado.
O antigo hotel Waldorf Astoria foi a residência de Nikola Tesla durante muitos anos, onde viveu no auge de seus poderes intelectuais e financeiros e organizava jantares elaborados, convidando pessoas famosas que testemunhavam experiências elétricas espetaculares em seu laboratório.
Tesla, Morgan e Wardenclyffe

John Pierpont Morgan era um investidor, bancário e colecionador de arte americano que dominava o corporativismo financeiro e a consolidação industrial de sua época, chegando a promover a junção da Edison General Electric e da Thompson-Houston Electric Company, formando a General Electric. Diz-se que Morgan salvou a economia norte-americana por duas vezes na virada do século. Ele tinha uma suíte presidencial exclusiva no Titanic, mas cancelou no último minuto a sua presença na viagem inaugural. Este poderoso homem se interessou pelo trabalho de Tesla em 1900.
Com o suporte financeiro de Morgan, Tesla construiu o laboratório Wardenclyffe, e sua famosa torre de transmissão, em Shoreham entre 1901 e 1905. A torre tinha impressionantes 57 metros de altura e um domo de 21 metros de diâmetro, feito de cobre, que continha um transmissor amplificador. Segundo planejado, seria o primeiro sistema de broadcasting do mundo, transmitindo tanto sinais quanto energia sem fios para qualquer ponto do globo, transformando a Terra em um dínamo gigante que poderia projetar sua eletricidade em quantidades ilimitadas em qualquer lugar do mundo.
O conceito de Tesla permitiria energizar transatlânticos, destruir navios de guerra, administrar indústrias e sistemas transportes e enviar comunicações instantaneamente através do planeta. Para estimular a imaginação do público, Tesla sugeriu que seria possível até mesmo comunicação interplanetária. Muitos jornais e periódicos entrevistaram Tesla e descreveram o seu novo sistema de alimentar toda a indústria do mundo sem utilizar fios.
No entanto, Morgan no fim acabou retirando seus fundos. A disputa entre Morgan e Tesla sobre a utilização da torre culminou na célebre frase do investidor: “se qualquer um pode tirar energia da torre, onde nós instalaremos o medidor?”.
Para a frustração de Tesla (a maior de sua vida), a torre ficou incompleta até 1917, quando foi destruída por razões de segurança durante a primeira guerra mundial. O local onde a torre de Wardenclyffe estava ainda existe, com as fundações intactas.
A Comunidade Científica

Tesla deu palestras à comunidade científica sobre suas invenções em Nova York, Filadélfia e St. Louis, e ante organizações científicas tanto na Inglaterra quanto na França, em 1892. Essas palestras, bem como seus artigos na década de 1890, causaram larga admiração entre seus contemporâneos e ajudaram a popularizar suas invenções, inspirando muitos jovens a entrar o novo campo de ciência elétrica e de rádio.
Ele escreveu muitos artigos autobiográficos para o proeminente periódico Electrical Experimenter, que depois foram reunidos em um livro, intitulado My Inventions. Um de seus dons era grandes poderes de visualizações e uma memória excepcional, possibilitando a ele construir, desenvolver e aperfeiçoar suas invenções completamente em sua mente antes de passá-las para o papel.
A celebridade de Tesla na virada do século estava no auge: ele era o superstar do momento, com suas descobertas, invenções e visão tendo aceitação geral pelo público, pela comunidade científica e pela imprensa, com intensa cobertura pelos periódicos científicos, pelos jornais diários e semanais e nas mais importantes publicações literárias e intelectuais da época.
Em 1894, recebeu os títulos de doutorado honorário tanto pela Universidade de Columbia quanto por Yale, além da medalha Elliot Cresson, concedida pelo Instituto Franklin. Em 1934 recebeu da cidade de Filadélfia a medalha John Scott pelo seu sistema multifásico. Tesla era um membro honorário da National Electric Light Association e um participante da American Association for the Advancement of Science.
Em 1915 foi noticiado pelo New York Times que Tesla e Edison iriam dividir um Prêmio Nobel de Física, mas nenhum foi agraciado. Os motivos nunca foram descobertos, mas rumores indicam que Tesla recusou porque não dividiria um prêmio com Edison e porque Marconi já havia recebido o que era seu por direito.
No seu aniversário de 75 anos (em 1931), quando apareceu na capa da revista Time, recebeu cartas de cumprimentos de mais de 70 pioneiros na ciência e engenharia, incluindo Albert Einstein e Mark Twain.
Morte e Homenagens Póstumas

Nikola Tesla faleceu no dia 7 de janeiro de 1943 no Hotel New Yorker, onde morou nos últimos dez anos de sua vida. Um funeral foi realizado na Catedral St. John the Divine, em Nova York, com mais de 2000 presentes, incluindo alguns prêmios Nobel. Foi cremado e suas cinzas encontram-se em uma esfera de ouro, sua forma favorita, no Museu Tesla em Belgrado.
Sobre Tesla, o Vice Presidente Behrend do Instituto de Engenheiros Elétricos disse o seguinte: “Se nós eliminássemos do mundo industrial os resultados do trabalho do Sr. Tesla, as rodas da indústria cessariam sua rotação, nossos carros e trens elétricos parariam, nossas cidades se escureceriam e nossos moinhos estariam sem uso e mortos. Seu nome marca um ponto crucial no avanço da ciência.”, concluindo com uma paráfrase do poema de Alexander Pope em homenagem a Newton: “Nature and nature’s laws lay hid by night / God said ‘Let Tesla be’ and all was light” (”A natureza e suas leis estavam escondidas na noite / Deus disse ‘Faça-se Tesla’ e tudo se iluminou”).
Tesla e o Steampunk

Tesla é relacionado ao mundo Steampunk por diversos motivos. O primeiro deles é a época em que viveu – o final do século XIX e o início do XX. Além disso, foi ele o responsável por todas as inovações tecnológicas que nós, amantes do cenário Steampunk amamos tanto no que diz respeito a eletricidade – basicamente toda a tecnologia não-vapor dos cenários steampunk tem a influência direta dos trabalhos de Tesla.
Fora que sua visão absolutamente inovadora e futurista para a época o colocam quase como um personagem de certas ambientações do gênero (quem imaginaria que alguém pudesse supor estar recebendo comunicações de outros planetas em pleno fim do século XIX??). Imaginar as fagulhas saindo do alto de sua antena em Colorado Springs, a construção da torre Wardenclyffe ou os experimentos realizados para seus convidados após um jantar no Waldorf Astoria são como imaginar cenas de um filme de ficção científica vitoriana. Tanto que o personagem interpretado por David Bowie em “O Grande Truque” tem um ar místico-tecnológico não muito longe da realidade (apesar de sua invenção no filme, a máquina de clonagem, o ser).
Nenhuma outra figura do século XIX engloba tão fortemente o estilo, a tecnologia, o jogo de cena e a mistura de genialidade e mágica que Tesla projetava. E por isso, não há nenhum cientista tão Steampunk quanto Nikola Tesla.
Você quer saber mais?
- Wikipedia . Nikola Tesla
- Wikipedia . Nikola Tesla (Inglês)
- YouTube . Vídeos sobre Tesla
- Google Video . The Missing Secrets (46min)
O autor
Lucas Sigaud é bacharel e mestre em física pela PUC-Rio, e está concluindo seu doutorado em física estatística teórica. Trabalha também na área de colisões atômicas na UFRJ, onde estuda a interação de elétrons com gases como água, amônia e CFCs. Além disso, é redator do site OutraCoisa.com.br e escritor.
Expressionismo Alemão no Telecine Cult

O Telecine Cult, este mês, presenteia o público da NET TV, às quintas feiras, com pérolas do Expressionismo Alemão, estilo que culminou na década de 20 manifestando a visão de mundo de cineastas através da excentricidade das imagens que colocavam na tela.
Tendo tido seu início em 1919 e ido até 1924, as obras criadas dentro deste paradigma traziam consigo o peso de uma estética afim do movimento SteamPunk - talvez graças a proto-tecnologia na qual estavam imersos e devido também a ter-se emergido recentemente da Era Vitoriana - carregando o peso do Zeitgeist daquele momento histórico.
Cenários, personagens, objetos de cena e até o estilo de atuação compunham uma sinfonia incomum, uma cacofonia de sensações a serem sentidas e imagens únicas a jamais serem esquecidas.
O Expressionismo Alemão é, contudo, maior do que o cinema e maior até do que o movimento artístico que a ele deu origem. Trata-se de um movimento de resistência a um mundo burguês, negando o racionalismo, a objetividade e a sistematização, contrapondo a fantasia à razão.
Decorrente e suplementar ao Niilismo de Nietzsche e das idéias de Freud, o artista expressionista se debatia contra o Real, projetando sobre ele as sombras da ilusão e do supra-sensível.
Ao não iniciados e aos que estão totalmente imersos no cientismo e na noção puramente denotativa do mundo objetivo, no qual o nosso se transformou, pode ser difícil fruir com facilidade a obra expressionista, mas não a tome como divertimento e sim como parte de sua formação cultural - como se fosse você visitante de um outro planeta ou de um outro tempo - e muito provavelmente o mérito inegável deste esforço artístico ache caminho até seu entendimento.
Infelizmente a programação começou já no dia 6 de Novembro, mas mesmo que você não consiga ver nenhum destes filmes na TV a Cabo, vale a pena procurá-los em outras paragens - seja nas prateleiras de locadoras, lojas especializadas ou mesmo baixando via Torrents, nos sites especializados (muitos destes filmes são já de domínio público).
“O Gabinete do Dr. Caligari” (1920)
6 de Novembro de 2008 - 19:45

Filme disponível em numerosas versões, de diferentes metragens, pode ser encontrado com durações que variam entre 51 minutos até 78 minutos, o que, a meu ver, torna a obra ainda mais interessante.
Evitando cânones e convenções do cinema que propunham um início e um fim bem definidos, “O Gabinete do Dr. Caligari” imprime um ritmo descomprometido com o espectador, em uma época em que o cinema buscava sua própria identidade como forma de expressão artística e não somente uma forma de diversão.
O personagem título leva para uma pequena cidade um espetáculo de hipnose de palco e, ao mesmo tempo, uma série de assassinatos começam a assolar a região.
Possivelmente o filme que inaugurou o gênero Terror, “O Gabinete do Dr. Caligari” é filmado como que da perspectiva de um louco, com ângulos excêntricos, uso magistral de luz e sombra e composições cenográficas magníficas de Walter Reimann, Walter Rohrig e Hermann Warnn, com colaboração de Fritz Lang no argumento.
Assista aqui a versão de 51 minutos.
“Nosferatu” (1922)
13 de Novembro de 2008 - 19:45

Uma livre adaptação do livro “Drácula”, de Bram Stocker, “Nosferatu” guarda pouca ou nenhuma relação com o SteamPunk, a não ser pelo “espírito de uma época” - o tal Zeitgeist - que muitos dos amantes do gênero identificam nas obras do Expressionismo Alemão.
Foi ordem da justiça, que todas as cópias da película fossem destruídas, contudo umas poucas sobreviveram graças a muitas terem sido já distribuídas e guardadas até a morte de Florence Balcombe, a viúva de Bram Stoker.
O filme fala da viagem de Hutter, um agente imobiliário que vai até os Cárpatos para se tornar o corretor do castelo do Conde Graf Orlock, sem saber que, na verdade, trata-se de um vampiro tenciona ir para a Alemanha, sorver do sangue das pessoas da região.
Fica a cargo de Ellen, mulher de Hutter, deter o monstro que por ela sente-se atraído.
Sendo hoje de domínio público, o filme está disponível em muitos formatos e, ironicamente, foi adaptado mais tarde por Werner Herzog, em um filme chamado “Nosferatu: Phantom der Nacht” (”Nosferatu, O Vampiro da Noite”, que passa no mesmo dia à 16:10).
Outra curiosidade fica por conta de, mais recentemente, E. Elias Merhige dirigir “A Sombra do Vampiro”, um filme com John Malkovich, no papel de Murnau) e Willem Dafoe - no papel de Max Schreck (que viveu Graf Orlock). O filme é baseado em fatos reais e fala da história da confecção de “Nosferatu”, explorando o fato de que Schreck era um ator de método ou, quem sabe, algo ainda mais soturno.
“A Sombra do Vampiro” vai ao ar antes de “Nosferato”, no mesmo dia, às 18:05.
Assista aqui o filme “Nosferatu” na íntegra.
“Metrópolis” (1927)
20 de Novembro de 2008 - 19:45

Esplêndida obra cinematográfica, “Metrópolis” inaugura o filme moderno de Ficção Científica com um argumento absolutamente atual - passado em 2026 - que foi então o filme mais caro até então filmado na Europa.
Desta obra também há várias versões, tendo sido a versão original - mais longa - somente vista em sua pré-estréia na Alemanha. Embora um quarto da filmagem tenha sido dada como completamente perdida, em Julho de 2008 um museu na Argentina apresentou o que estudiosos entendem como sendo uma cópia completa. A versão normalmente exibida nos dias de hoje foi reescrita por Channing Pollock.
Adaptado pelo próprio Fritz Lang em parceria com sua esposa Thea von Harbou, a autora do romance adaptado, “Metrópolis” narra um enredo que desde então sempre esteve em voga, uma sociedade totalitária corporativista, cercada de uma aristocracia cooptada que, por ser cooptada, tem acesso a regalias as quais o proletariado jamais terá acesso.
As classes mais baixas, em “Metrópolis”, embora mais numerosas, vivem na prisão sem grades da idéia de que devem trabalhar sobre as condições que trabalham, escravizados, sem sentí-lo, pelas máquinas que acreditam operar.
Freder, filho do cabeça da corporação que domina aquela realidade - um homem-feito, mimado pelos privilégios que sua condição lhe confere - vê-se de repente apaixonado por Maria, que desponta como líder da causa operária.
O filme é profético em demonstrar uma relação Homem/Máquina de interdependência, além de propor que tal realidade seria completamente inconspícua, indetectável e que sempre acharíamos estar no controle, independente do que ocorresse.
A preocupação do roteiro em visitar a necessidade humana de valorização da subjetividade e a otimista - embora talvez inocente - tendência a identificar o poder combativo do Homem ante a tirania, demonstram menos uma visão negativa que uma denúncia do que podemos nos tornar.
Dos elementos mais importantes do enredo é necessário fazer menção ao robô criado pelo pai de Freder, construído com o objetivo de ser o operário perfeito, que jamais se rebelaria contra seu criador, ambos os quais têm de ser destruído para que seja possível a mediação entre a Cabeça (a Aristocracia) e as Mãos (os Operários), que seria feita pelo desperto Freder.
É sabido que, tendo visto “Metrópolis”, Hitler procurou Lang e sua esposa, requisitando seus serviços para a confecção de propaganda Nazista, projeto abraçado por sua mulher enquanto Lang viu-se obrigado a fugir para Paris - fechando um ciclo de uma das ironias mais cruéis da história do cinema, onde o totalitarismo e tirania da vida imita a profecia e alerta que é a Arte.
Assista aqui dois trechos do filme.
“O Anjo Azul” (1930)
27 de Novembro de 2008 - 19:45

Independente de qualquer ligação estética com o gênero “Der Blaue Engel” é uma jornada pela miséria humana a altura do caráter distópico que muitos dos entusiastas identificam por entre toda nuvem de vapor, fumaça de combustíveis fósseis e gases tóxicos de metal fundido que se espalham pelo universo SteamPunk.
Mais destacado do Expressionismo Alemão em termos cronológicos, “O Anjo Azul” foi dirigido por Josef von Sternberg em 1930 - adaptado do romance “Professor Unrat”, de Heinrich Mann - e se transformando no que é considerado até hoje como o primeiro grande filme sonoro do cinema alemão.
Foi nesta película que Marlene Dietrich conseguiu notoriedade para depois acabar se tornando o mito que se tornou.
A trajetória cruel e humilhante que o filme faz a personagem de Emmanuel Rath percorrer descreve uma degradação que o leva de moralista educador de uma escola do ensino médio até a sargeta pré-Segunda Guerra Mundial, vendendo fotos de sua esposa nua para sobreviver.
“O Anjo Azul” conta, essencialmente, a história de alguém que perdeu-se pelo caminho, mas permite uma avaliação crítica muito mais profunda, passando pela estratificação, paixões humanas, obsessões carnais e das relações de poder na sociedade.
Permitindo-se analisar metáforas mais elaboradas, o espectador vai conseguir identificar que a decadência de Rath não é diferente da degradação da República de Weimar e da elite alemã quando da subida de Hitler ao poder.
De diversas formas “O Anjo Azul” é também um filme sobre totalitarismo… o totalitarismo do desejo equivocado e da ilusão de posse. “O Anjo Azul” representa essencialmente a perversão e obliteração total de valores que leva a personagem principal a deliberada e estupidamente largar tudo que tem, perdendo de vista até mesmo sua ética e a severidade moral que demonstra no início do filme.
“Ler” o filme com olhos literais é deixar de sorver de todo este entorno histórico social que narra a relação doentia da aristocracia alemã com o “Anjo Azul” içava vôo com a ascensão do Führer.
Assista aqui dois trechos do filme.
Conclusão
Ainda que a relação guardada entre o Expressionismo Alemão e o gênero SteamPunk seja, na maior parte dos casos, indireta, esta forma de expressão cultural sem dúvida é uma vasta fonte de inspiração literária, artística e até oferece uma paleta nova para a criação de panos de fundo para jogos de RPG.
A tão decantada distopia SteamPunk encontra seios opulentos no oceano de sofrimento, alienação e desespero que as personagens do Expressionismo Alemão se afogam acreditando estar matando a própria sede.
A estética angulosa e aflita, um grito preto e branco de desespero e frustrações, carrega a crueldade necessária para que a produção SteamPunk não esteja imbuída apenas de estética vazia, mas da angústia que um dia a dia tecnocrata e auto-destrutivo impinge sobre qualquer um que esteja sobre este jugo.
The World of Gatheryn

Há muito charme e sofisticação na literatura, nos quadrinhos e nos RPGs com temática SteamPunk, não há dúvida, mas há momentos em que sentimos falta de ter, na ponta dos dedos, o poder de embarcar em direção a um universo de fato, onde tudo a nossa volta é percebido como se existisse - deixando nossa imaginação a cargo não de mentalizar um entorno, mas de viver uma vida em uma realidade SteamPunk!
“The World of Gatheryn” é um projeto da MindFuse Games que, conforme noticiado no OutraCoisa.com.br, é um jogo do tipo Massive Multiplayer Online RPG - MMORPG - que, como o World of Warcraft ou o City of Heroes, é um jogo que permite milhares de pessoas jogando o mesmo jogo, no mesmo espaço virtual, interagindo, colaborando e se aliando para resolver mistérios, solucionar “quebra-cabeças” e para viver uma vida virtual juntos.
Ao contrário da maior parte dos jogos do tipo MMORPG, no entanto, “The World of Gatheryn” foi pensado para o jogador menos interessado em frenéticas missões e em pancadarias com criaturas medonhas e mais com o Role Playing (a “representação de um papel”), usufruindo da realidade disposta a sua frente e da história que serve de pano de fundo para o universo do jogo.

O universo de Gatheryn supõe o crescimento como intrínseco e, segundo a MindFuse, pacotes com novas paragens serão publicados periodicamente para aumentar a área de jogo.
Cada jogador poderá assumir diversos papéis com temática Vitoriana, sendo possível personalizar tanto sua aparência quanto a aparência de seu lar em Gatheryn, gastando as peças de prata adquiridas em missões e aventuras das quais seu personagem participe. É possível até mesmo adquirir um animal de estimação, como um Furão ou um Macaco Mecânico a Vapor.
Gatheryn é uma história de subversão, a subversão de uma realidade totalitária, onde um poderoso tirano é o único que controla a fonte primaria de energia de seu mundo. Mitologia rica em subtextos, o argumento de Gatheryn que justifica um retorno a uma tecnologia ancestral devido a motivos políticos.

O compromisso de “The World of Gatheryn” com a Era Vitoriana e com a estética SteamPunk é visível, desde o cuidado de mencionar repetidamente a existência destes elementos no jogo até a inclusão de elementos lúdicos mais tradicionais, como puzzles e mini-jogos, garantindo uma experiência de jogo menos orientada ao combate.
Com um milhão de dólares de aporte de capital - como foi amplamente divulgado na mídia especializada - há grandes chances de a MindFuse Games se firmar e ancorar “The World of Gatheryn” em um nicho de mercado ainda mal atendido, que é o mercado SteamPunk de MMO.
A previsão de lançamento está definida para meados de 2009. Agora é só roer as únhas até o dia chegar.
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Poucas coisas são mais importantes que a comunicação e a diversidade.
Há todo tipo de pessoa interessada em cultura SteamPunk, com níveis de interesse que vão do casual até o do entusiasta dedicado.
Assim como no caso dos Trekkers e dos Jediers, os fãs da cultura SteamPunk - ou Steamers - partilham interesses em comum, no entanto, uma vez que o sub-gênero surgiu na década de 80, é jovem e o número de interessados é, supõe-se, reduzido.
No Brasil, ultimamente, a mídia até tem começado a mencionar o termo aqui e ali, publicar uma ou outra foto e, cada vez mais, os mais curiosos acabam esbarrando em sites e imagens no Google.
O Registro SteamPunk é uma forma de todos os Steamers (dos mais casuais aos mais devotados) se manterem em contato - se desejarem - e desfrutarem de um meio colaborativo, democrático, sem presidentes ou instituições reguladoras. É uma forma de todos receberem notícias acerca de eventos, SteamCamps, podendo fazer uso de dicas para promoverem seus próprios eventos em suas regiões, manterem contato com outros entusiastas do gênero e até criarem mais uma Loja do Conselho SteamPunk.
Se você deseja fazer parte dessa rede de contatos, cadastre-se no Registro SteamPunk. Basta clicar no botão abaixo e responder as perguntas do questionário.
Estar cadastrado no Registro SteamPunk, inclusive, significa ter direito ao SteamPass, que garante descontos e participações em iniciativas do Conselho Steampunk.
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A Taxidermia SteamPunk de Lisa Black

Neozelandesa, Lisa Black é escultora e revisita a taxidermia através de um trabalho elaborado de customização, unindo mecânico e orgânico em peças que chocam pelo ar sacrílego.
Não vão faltar críticas e interpretações, adjetivos e expressões de desgosto, mas Lisa Black garante que sua intenção é simplesmente alcançar uma proposta estética dissonante e original.
Sua coleção de animais empalhados modificados é denominada “Fixed” (”consertados”, em português) e cada peça demora meses para ficar pronta, exigindo buscas em Garage Sales por criaturas que, normalmente, já estão um tanto avariadas pelo tempo. Não é menos demorada sua busca por toda sorte de engrenagens e equipamentos antigos para emprestar ao trabalho toda essa aparência SteamPunk.
O trabalho de Lisa Black foi alvo de ativistas, como se pode supor, mas ela é bastante eloqüente ao defender suas intenções artísticas, declarando sua postura pluralista quanto as questões trans-humanistas e seu interesse na estética SteamPunk.

Tendo tido seu trabalho popularizado pela rede social Behance, de profissionais de criação, Lisa Black faz questão de alardear a importância de iniciativas como esta para divulgar a diversidade artística e educar um público pouco tolerante quanto a natureza de obras incomuns.
A arte tem um papel profundamente importante em nossa cultura e reduzí-la a algo que se deve gostar é esperar que ela seja muito menos do que ela pode ser. Uma proposta artística confortável não é tão provocativa quanto uma que nos provoque uma reação incomum, como melancolia ou até raiva.
Em um momento em que o Entretenimento é, para muitos, mais importante que a Arte, artistas como Lisa Black são especialmente importantes, não permitindo ao espectador permanecer com os sentidos embotados e provocando-os a ter alguma reação para, quem sabe assim, entenderem que se divertir não é a única coisa que ela pode fazer e que a reflexão e o significado estão em todo lugar.
Você quer saber mais?
Quem decide o que é SteamPunk?

A beleza está nos olhos de quem vê… e o significado também…
Uma das coisas mais interessantes acerca da produção cultural é o fato de que o espectador, independente das intenções do autor de uma obra, resignifica aquilo que está observando.
O próprio SteamPunk é um construto, uma perspectiva muito atual, uma forma de olhar para o passado e imaginar um momento histórico que jamais aconteceu.
Mais que isso, autores como Julio Verne jamais sequer poderiam ter escutado o termo SteamPunk e, no entanto, suas obras são comumente associadas a este sub-gênero da Ficção Científica.
É muito comum, em discussões apaixonadas ou não, que se discorde sobre o que é e o que não é SteamPunk, uma vez que há espectadores mais puristas e espectadores menos puristas.
Freqüentemente os envolvidos com o movimento SteamPunk ouvem perguntas como “O que é SteamPunk?”. Para além das mais diversas definições, seja da Wikipedia, do SteamPunk.com.br ou do SteamPunkBrasil.com, existe o ponto de vista de quem está olhando para a obra.
Sempre vai haver discussão acerca de se algo é Hard Science Fiction ou não, se Science Fantasy é ou não um gênero em si mesmo ou um sub-gênero, e toda sorte de discordâncias a esse respeito. Cultura, contudo, não é tanto sobre seu conjunto de definições quanto acerca de descoberta, fruição e conhecimento.
É bastante comum que blogs como o SteamPunk.com.br ou o BoingBoing - do escritor de Ficção Científica Corey Doctorow - causem afronta aos mais puristas.
A discussão é, porém, tão infrutífera quanto se a banda tal é ou não Rock Progressivo, se a Bíblia é ou não literal ou o sobre o que é Arte.
Todas estas questões são interessantes se levadas em um nível desapaixonado e indo além das definições “almanáquicas” ou de dicionário.

Filmes passados na década de 40, 50 e 60 podem ter elementos e influência SteamPunk?
Em “HellBoy”, que começa na Segunda Guerra Mundial, a influência estética do gênero é muito forte e está não só a serviço da narrativa, mas faz parte da “paleta” com a qual o artista pinta o resto do filme.
É claro para todos que não houve guitarra, computador com tela de LCD ou arma de raios na Era Vitoriana. Entretanto, o SteamPunk é muito menos uma definição e muito mais uma ferramenta a serviço da produção de subjetividade, seja ela um filme, uma ilustração ou um dispositivo eletrônico.
É claro também que, independente da referência estética Vitoriana, o SteamPunk não precisa se passar na Era Vitoriana, do contrário “Metrópolis”, “Hellboy” e “Rocketeer” não poderiam ser listados dentre os filmes inspirados em SteamPunk.
É fato, inclusive, que muitas das obras associadas hoje com a proposta estética SteamPunk nasceram antes mesmo do termo sequer ser cunhado, o que significa que o autor jamais teve a intenção de se alinhar com isso ou com aquilo.
A intenção do autor, apesar de ser uma ótima bula e uma demonstração da genialidade de quem assina a obra, é mero epifenômeno diante da resignificação empreendida pelos espectadores, que vão resignificar e fruir a obra muito depois da morte do autor e do esquecimento da posologia por ele decidida.
Não há, enfim, uma junta diretora que defina o que é SteamPunk. As definições existentes são somadas a flexibilidade cognitiva de cada um para gerar uma diversidade de perspectivas da realidade, como é com tudo mais na vida.
Se você quiser então saber “O que é SteamPunk”, dê uma lida aqui, ali e acolá, mas depois de ler as definições, liberte-se delas.
Definições mostram o caminho, mas ficam no caminho e acabam engessando a imaginação.






